Educação

Educadores de infância querem regras iguais às do ensino básico

por Kátia Catulo, Publicado em 25 de Maio de 2010   
Petição para uniformizar o calendário do pré-escolar e 1º ciclo é hoje entregue na Assembleia da República pelo líder da Fenprof
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São educadores de infância e querem seguir as mesmas regras que os professores do primeiro ciclo do ensino básico. Os docentes do pré-escolar exigem ter o mesmo calendário que os restantes níveis de escolaridade e é essa vontade que demonstram na petição com cinco mil assinaturas que será hoje entregue na Assembleia da República pelo secretário-geral da Federação Nacional dos Professores, Mário Nogueira (Fenprof).

"O que está aqui em causa não são as férias que os educadores poderiam querer gozar, mas o direito a pausas lectivas para se fazer a avaliação qualitativa do aproveitamento escolar das crianças", esclarece Mário Nogueira. Com os calendários escolares diferenciados, os educadores de infância dizem que estão impossibilitados de participar em reuniões com os outros colegas porque continuam em actividades lectivas. O dirigente da Fenprof dá o exemplo do final deste ano lectivo: enquanto o primeiro ciclo termina as aulas a 18 de Junho, o pré-escolar só encerra a 9 de Julho.

"O calendário para a educação pré-escolar deve ser semelhante ao do básico, de forma a permitir que se desenvolvam actividades de avaliação, mas também para que os educadores possam participar nas reuniões que os agrupamentos desenvolvem com os restantes professores", adverte Mário Nogueira. O dirigente da Fenprof esclarece ainda que a presença dos educadores de infância nas reuniões que se realizam no final de cada período também é "difícil", dado que nessas alturas os docentes do pré-escolar também são obrigados a manter actividades lectivas. "O que acontece na prática é que o primeiro ciclo tem mais uma semana de pausa lectiva que os educadores de infância", remata.

O que é "absurdo" - censura o sindicalista - uma vez que durante as pausas lectivas "são poucas as crianças" que continuam a frequentar as creches e os jardins de infância.

Uniformizar os calendários escolares é aliás o primeiro passo para aproximar o pré-escolar do ensino básico, defende Maria do Céu Castelo Branco, conselheira da Associação Nacional dos Professores: "Actualmente não existe uma articulação entre estes níveis de ensino e isso seria fundamental, uma vez que estamos perante um período de passagem dos alunos que exige diálogo entre os professores."

Essa diferença no calendário é mais um sintoma de como o pré-escolar continua a ser pouco valorizado, defende Ilídio Trindade, coordenador do Movimento e Unidade dos Professores: "Hoje o pré-escolar já é encarado como uma fase determinante do percurso escolar de uma criança, mas isso não se traduz na prática", remata o professor.


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