BE quer impedir construção da barragem de Foz Tua

por Agência Lusa com Andre Patrocínio, Publicado em 24 de Maio de 2010   
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O Bloco de Esquerda (BE) entregou na Assembleia da República, na sexta feira, um Projeto de Lei que visa suspender o Projecto Hidroeléctrico do Rio Tua e dar início a um Plano de Requalificação da linha ferroviária do Tua.

"As razões que levaram o BE a avançar com este Projeto de Lei têm por base a necessidade imperiosa de proceder à recuperação da linha ferroviária do Tua, que implica suspender o projeto da barragem", disse hoje à agência Lusa o deputado bloquista Heitor Sousa.

O responsável frisou que o Projeto Lei "é o único instrumento legal que é possível discutir na Assembleia da República para impedir que a barragem avance".

"Nada temos contra o investimento em barragens. A promoção da energia hídrica é um argumento bom do governo para a aposta nas energias sustentáveis. Porém, a barragem de Foz Tua só produzirá um por cento da energia hidráulica do país", sublinhou Heitor Sousa, questionando se "por causa de um por cento se pode por em causa a linha ferroviária do Tua".

O deputado recordou que "o anterior governo socialista prometeu que a linha [do Tua] ia voltar a funcionar", salientando que "há partidos que já se pronunciaram também contra [a construção da barragem]", pelo que crê que o BE terá apoios para a aprovação do Projeto Lei entregue na Assembleia da República.

"Dentro do próprio PS há muitas pessoas que estão contra o projeto da barragem e contra o fim da linha ferroviária. Estamos convencidos de que esta iniciativa legislativa tem condições para ser aprovada", salientou à Lusa Heitor Sousa.

Num comunicado hoje emitido, o BE considerou que "existem graves implicações que a barragem do Tua vai ter, não apenas na linha férrea, mas no próprio equilíbrio ecológico e ambiental da região, sobre as quais as populações e vários movimentos cívicos não se têm cansado de alertar".

"O governo do Partido Socialista tem ignorado e vai continuar a ignorar essas razões, e já optou por se colocar ao lado do negócio das empresas de construção e da produção da energia  - a EDP -, cujos benefícios serão muito mais relevantes para os donos da obra do que para as populações ou para o desenvolvimento económico e social local e regional", acusou o partido liderado por Francisco Louçã.

 

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***



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