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De novo em grande na Grécia

Opinião: Fernando Santos, o mérito do trabalho

por Alexandre Pereira, Publicado em 20 de Maio de 2010   
Comandou os três grandes do futebol português, mas dificilmente cai nas boas graças das bancadas. Na Grécia foi considerado treinador da década. Às vezes é preciso partir para se ser feliz
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Os grandes clubes portugueses devem ter um fascínio qualquer por gente fashion. Lê-se na edição de hoje de "O Jogo" que o FC Porto quer um treinador "sedutor", seja isso o que for. Que seduza o público com bom futebol, presume-se e deseja-se.

A prática tem-nos mostrado que esta apetência cíclica dos clubes por gente charmosa (vide Quique Flores no Benfica, também) tem alguma razão de ser: é que os adeptos afinal ligam mesmo à imagem, ou não fossem Jesualdo Ferreira e Fernando Santos dois exemplos dessa máxima. Ganham e trabalham bem, mas não caem nas boas graças nas bancadas. E tudo indica que é por sorrirem pouco e não serem especialmente fotogénicos.

Sobre Jesualdo ficámos conversados esta semana – resta perceber se vai mesmo deixar o Porto.

Sobre Fernando Santos conversa-se muito pouco porque está longe e sob holofotes menos espampanantes. Temos levado overdoses de Grécia, mas por razões bem menos ligeiras.

Ora, Fernando Santos, que foi considerado há semanas o melhor treinador da década no futebol grego, acaba de cometer mais uma proeza por lá: qualificar o PAOK para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Fê-lo com um orçamento que não passa de um terço dos do Olympiakos (eliminado) e do Panathinaikos (campeão nacional). Fê-lo na sequência de um plano de trabalho a três anos que culminou exactamente como ele previra, com a equipa a lutar por um lugar na Champions. Fê-lo e vai sair, porque as ambições do PAOK não permitem, realisticamente, lutar pelo título com as mesmas armas dos adversários de Atenas.

No FC Porto foi campeão e coleccionou taças; no Sporting apanhou os cacos do segundo ano de Boloni, construiu a matriz do 4x4x2 que perdurou até ao fim do reinado de Paulo Bento e foi despedido quando preparava a segunda temporada; no Benfica, com ele, os sócios reaprenderam o que é ganhar sempre em casa, mesmo com um banco que desafio as pessoas a recordarem. Foi despedido qando preparava a segunda época.

Voltou à Grécia, onde já fora feliz, para ser feliz outra vez. O mérito dele é o trabalho, e os gregos sabem-no.



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