Mais obras públicas: "Só pode ser brincadeira de mau gosto"

por Cláudia Garcia, Publicado em 19 de Maio de 2010   
Líder do PSD diz que reduzir os salários da função pública representaria uma medida drástica
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O líder do PSD, Passos Coelho, garantiu que este governo “tem responsabilidade na situação económica do país”. Acrescentando: "Não sou primeiro-ministro e José Sócrates já está no governo há 5 anos", referiu em entrevista à TVI.

As medidas são muito claras: cortar mil milhões de euros na despesa e gerar mil milhões de euros à receita. Este é o único acordo existente entre o governo e o PSD, garantiu Pedro Passos Coelho. "O PSD confiou na boa fé do primeiro-ministro. Quando o país está em causa, cabe ao PSD ajudar o país a ultrapassar esta situação". 

 De acordo com o líder social-democrata, as medidas que garantem o corte na despesa têm tudo para produzir efeitos nos próximos seis meses, o que fará com que a Comissão Europeia, o Conselho Europeu e o Banco Central Europeu “voltem a acreditar em Portugal”. Isso poderá resultar numa redução de impostos já em 2011. No que respeita ao aumento da receita, o limite estipulado foi até ao final do próximo ano. Assim, Passos Coelho acredita que o cenário em Portugal poderá ser, em 2011, de uma redução de 0,8% na despesa e 1,4% no aumento das receitas. 

Passos Coelho negou a possibilidade de formar governo com o PS e garantiu que o acordo “planeado até 2013”, surgiu sob “pressão externa” feita a Portugal. No entanto, avisou os portugueses que o PSD está no “limite” do que pode ajudar o país. “Caso as medidas sejam efectivadas teremos cumprido a redução do défice e isto permitirá que as instâncias internacionais voltem a acreditar em nós até 2011”, disse Passos Coelho. O líder laranja deixou claro que perante um cenário negativo quem responde é o governo e nunca os sociais-democratas.  

Quando questionado sobre o que poderá acontecer caso estas metas não sejam alcançadas, Passos Coelho diz apenas "se o governo não cumprir e faltar à palavra então perdemos tudo".

Por isso mesmo, as medidas de austeridade serão monitorizadas mensalmente por um relatório que publicará todas as contas do Estado e trimestralmente no que envolve as despesas privadas “para não atirar nada para debaixo do tapete e garantir as transparência", sublinhou Passos Coelho.

 

Salários da função pública


Em relação à redução dos vencimentos da função pública, medida aplicada pela Espanha, Irlanda e Grécia, Passos Coelho defendeu que essa é uma “medida drástica” que só será “equacionada pelo país” se as restantes “falharem”. O líder laranja reforçou que países como a Irlanda e Grécia têm economias mais débeis de Portugal, caracterizadas por “um défice orçamental maior que o nosso”.

 

Obras Públicas
“Brincadeira de mau gosto” comentou Passos Coelho sobre a possibilidade de o governo abrir mais concursos para as obras públicas. “Não lavo as minhas mãos que dei o sim às medidas da despesa e da receita”, avisa o líder laranja. E acrescenta: “Se o governo não actuar de forma inteligente quem perde é o país”. Passos Coelho acredita que as medidas de austeridade por si só serão suficientes para atenuar a situação económica do país. A redução do défice vai produzir efeitos positivos em Bruxelas e gerar mais confiança em Portugal. No entanto, considera que é uma “ilusão grave” acreditar que o governo mude a sua postura e faça as reformas estruturais ao fim de seis anos de legislatura. 

 

Em relação à Comissão de Inquérito, o líder do PSD garante que o governo não tem condições para continuar caso se prove a intervenção do executivo no negócio PT/TVI. Recorde-se que, na semana passada, Pedro Passos Coelho havia dito que a Comissão de inquérito não estava a caminhar para conclusões categóricas.

 



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