O líder do PSD, Passos Coelho, garantiu que este governo “tem responsabilidade na situação económica do país”. Acrescentando: "Não sou primeiro-ministro e José Sócrates já está no governo há 5 anos", referiu em entrevista à TVI.
As medidas são muito claras: cortar mil milhões de euros na despesa e gerar mil milhões de euros à receita. Este é o único acordo existente entre o governo e o PSD, garantiu Pedro Passos Coelho. "O PSD confiou na boa fé do primeiro-ministro. Quando o país está em causa, cabe ao PSD ajudar o país a ultrapassar esta situação".
De acordo com o líder social-democrata, as medidas que garantem o corte na despesa têm tudo para produzir efeitos nos próximos seis meses, o que fará com que a Comissão Europeia, o Conselho Europeu e o Banco Central Europeu “voltem a acreditar em Portugal”. Isso poderá resultar numa redução de impostos já em 2011. No que respeita ao aumento da receita, o limite estipulado foi até ao final do próximo ano. Assim, Passos Coelho acredita que o cenário em Portugal poderá ser, em 2011, de uma redução de 0,8% na despesa e 1,4% no aumento das receitas.
Passos Coelho negou a possibilidade de formar governo com o PS e garantiu que o acordo “planeado até 2013”, surgiu sob “pressão externa” feita a Portugal. No entanto, avisou os portugueses que o PSD está no “limite” do que pode ajudar o país. “Caso as medidas sejam efectivadas teremos cumprido a redução do défice e isto permitirá que as instâncias internacionais voltem a acreditar em nós até 2011”, disse Passos Coelho. O líder laranja deixou claro que perante um cenário negativo quem responde é o governo e nunca os sociais-democratas.
Quando questionado sobre o que poderá acontecer caso estas metas não sejam alcançadas, Passos Coelho diz apenas "se o governo não cumprir e faltar à palavra então perdemos tudo".
Por isso mesmo, as medidas de austeridade serão monitorizadas mensalmente por um relatório que publicará todas as contas do Estado e trimestralmente no que envolve as despesas privadas “para não atirar nada para debaixo do tapete e garantir as transparência", sublinhou Passos Coelho.
Salários da função pública
Em relação à redução dos vencimentos da função pública, medida aplicada pela Espanha, Irlanda e Grécia, Passos Coelho defendeu que essa é uma “medida drástica” que só será “equacionada pelo país” se as restantes “falharem”. O líder laranja reforçou que países como a Irlanda e Grécia têm economias mais débeis de Portugal, caracterizadas por “um défice orçamental maior que o nosso”.
Obras Públicas
“Brincadeira de mau gosto” comentou Passos Coelho sobre a possibilidade de o governo abrir mais concursos para as obras públicas. “Não lavo as minhas mãos que dei o sim às medidas da despesa e da receita”, avisa o líder laranja. E acrescenta: “Se o governo não actuar de forma inteligente quem perde é o país”. Passos Coelho acredita que as medidas de austeridade por si só serão suficientes para atenuar a situação económica do país. A redução do défice vai produzir efeitos positivos em Bruxelas e gerar mais confiança em Portugal. No entanto, considera que é uma “ilusão grave” acreditar que o governo mude a sua postura e faça as reformas estruturais ao fim de seis anos de legislatura.
Em relação à Comissão de Inquérito, o líder do PSD garante que o governo não tem condições para continuar caso se prove a intervenção do executivo no negócio PT/TVI. Recorde-se que, na semana passada, Pedro Passos Coelho havia dito que a Comissão de inquérito não estava a caminhar para conclusões categóricas.




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