Pacheco Pereira: resumos das escutas enviados pelo Procurador de Aveiro “são avassaladores”

por Adriano Nobre, Publicado em 18 de Maio de 2010   
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Pacheco Pereira defendeu hoje que os resumos das escutas do processo Face Oculta enviados pelo Procurador de Aveiro para a comissão de inquérito ao negócio PT/TVI têm “um carácter puramente avassalador”. “Fazem a descrição detalhada de um negócio de características anómalas e conduzido politicamente para alterar a linha editorial da TVI”, acusou o deputado do PSD.
O único deputado social-democrata que consultou os resumos das escutas considerou mesmo que estes documentos provam que a PT e a Taguspark foram meros instrumentos para atingir um objectivo tentado em duas etapas por Rui Pedro Soares, ex-administrador da Taguspark e da PT.
Mas, acusa Pacheco, “o negócio era conhecido do primeiro-ministro” e “não apenas de Rui Pedro Soares”. “Se não entrarmos em linha de conta com estas informações, não estamos a fazer nada aqui”, invocou Pacheco Pereira. O deputado revelou ainda a intenção do PSD em chamar à comissão o ex-administrador da Taguspark João Carlos Silva, o ex-consultor jurídico da PT Paulo Penedos e o presidente do BESi José Maria Ricciardi. Na sequência destas audições, o PSD ponder ainda chamar novamente o administrador da Prisa Manuel Polanco, o CEO da PT Zeinal Bava e o ex-administrador do BCP Armando Vara, para “confrontá-los com incongruências graves no decorrer dos trabalhos da comissão de inquérito”.
Em resposta às palavras de Pacheco Pereira sobre o carácter “avassalador” dos resumos das escutas do processo Face Oculta, o deputado socialista Ricardo Rodrigues considerou a sua intervenção “politicamente reprovável”. “Faz uma interpretação e retira conclusões de resumos de escutas que não conhecemos”, disse, numa alusão ao facto de o PS, o CDS e o BE terem recusado consultar os resumos das escutas. “Os procuradores pediram que os documentos fossem tratados com sigilo e Pacheco Pereira vem aqui fazer uma interpretação política. Estamos face a uma violação do segredo de justiça. Esta comissão tornou-se num jugo de intenções pouco claras”, acusou.


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