Amadora: nova política de realojamento acaba com construção de bairros sociais

por Agência Lusa com Andre Patrocínio, Publicado em 15 de Maio de 2010   
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A Câmara da Amadora quer deixar de construir bairros sociais e está a apostar na compra de apartamentos, a preços mais acessíveis, no mercado privado, uma forma que, acredita, evitará a concentração em massa de habitação social.

A Câmara já adquiriu 19 fogos a preço controlado num investimento de 1,2 milhões de euros, para realojamento de famílias recenseadas no PER (Programa Especial de Realojamento), residentes em barracas e construções similares na área do novo troço da CRIL (Cintura Regional Interna de Lisboa) entre as Portas de Benfica e as Pedralvas.

Trata-se de um protocolo entre a autarquia da Amadora, a Estradas de Portugal, que financiou 300 mil euros, e o Instituto da Habitação e da Reabilitação Urbana (IHRU), que subsidiou 40 por cento do valor.

Segundo a vereadora com o pelouro da Habitação, Carla Tavares (PS), embora este protocolo esteja na sua fase final, a autarquia vai continuar individualmente a apostar na aquisição de fogos a preço de portaria - a custos controlados - de forma a “evitar a concentração massificada de habitações” como são exemplos os bairros como o Casal da Mira, com 760 fogos construídos de raiz para albergar famílias inscritas no PER.

“Queremos evitar o mais possível a construção desses bairros. Acaba por ser um desafio tão grande gerir o Casal da Mira, como era gerir e trabalhar socialmente a Azinhaga dos Besouros porque quando mudamos as pessoas do degradado para o edificado não resolvemos todos os problemas”, constatou.

Outro dos objetivos desta nova política de habitação da autarquia passa por dispersar os agregados familiares em locais que não sejam especificamente de realojamento social, não confinados à Amadora.

Parte dos dezanove fogos adquiridos em parque legal, através de imobiliárias, estão localizados em Belas, Queluz e Algueirão, no concelho de Sintra.

“Em vez de concentrarmos as pessoas num único espaço físico da cidade, em zonas que acabam por ser de realojamento, estamos a procurar dispersar os agregados por um conjunto de fogos que existem, devolutos ou à espera de ser arrendados ou adquiridos, procurando evitar a construção em massa e processos de realojamento em massa”, frisou a vereadora Carla Tavares.

O município da Amadora foi o último da área metropolitana de Lisboa a aderir ao Programa Especial de Realojamento.

A autarquia iniciou os processos de realojamento há dez anos, existindo atualmente 2024 fogos de habitação social, todos eles habitados.

Neste momento existem ainda 1591 agregados inscritos no PER a residir em bairros degradados, cerca de 23 por cento do total de casos inscritos no início do programa, em 1993, quando existiam na Amadora 35 bairros degradados, com 26 mil pessoas a residir em barracas.

 

** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico **

 



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