Educação: ministra Isabel Alçada vinca importância da "capacidade de diálogo"

por Agência Lusa com Andre Patrocínio, Publicado em 14 de Maio de 2010   
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 A ministra da Educação, Isabel Alçada, afirmou hoje, em Coimbra, que quem trabalha neste sector deve ter capacidade de diálogo, frisando que é nessa perspetiva que tutela a pasta.

"Acho que a Educação pressupõe a capacidade de diálogo. O bom professor é aquele que é capaz de dialogar com os alunos, estar atento, e quem trabalha na Educação deve ter essa competência. Quem se dedica à Educação deve trabalhar numa perspetiva de diálogo e é essa a perspetiva em que nós estamos", afirmou.

Isabel Alçada falava numa sessão que decorreu hoje na Escola Secundária Infanta D. Maria, que está a ser requalificada pela empresa Parque Escolar.

A ministra respondia a uma questão de um aluno, que lhe perguntara como vai introduzir "uma verdadeira mudança no ensino" após "quatro anos de verdadeira luta de guerrilha entre sindicatos, professores e Ministério".

"Não acho que a palavra 'guerrilha', 'confronto', 'luta' seja o campo semântico, os vocábulos adequados, para trocar impressões. Pode haver posições diferentes, até opostas, mas nós temos de tomar sempre em consideração o ponto de vista alheio, porque ninguém é infalível", sublinhou a ministra da Educação.

Na sua opinião, "para que as escolas trabalhem bem é preciso que haja um clima de paz e de serenidade e que as pessoas saibam quais são as regras, que devem ser gerais".

"Devemos dar também muita margem a que a escola possa escolher as regras que considera adequadas para orientar o seu trabalho e para resolver problemas que possam eventualmente existir", adiantou.

Ao sublinhar que "deve existir, de facto, muita autonomia na decisão daquilo que é melhor decidido ao nível regional e local e do grupo do que ao nível nacional", a ministra defendeu que o princípio da subsidiariedade da União Europeia se deve aplicar no sector da Educação.

Na sessão, Isabel Alçada respondeu a perguntas colocadas por professores e alunos, assistiu à apresentação de projetos em curso e à leitura de poemas pelos jovens, tendo apreciado depois as grandes transformações ocorridas no antigo "Liceu Infanta D. Maria".

"A autonomia das escolas é um conceito esvaziado enquanto as escolas continuarem subordinadas a um modelo comum, sobretudo a nível curricular e organizacional", disse, no evento, a presidente do conselho executivo, Maria do Rosário Gama.

Elogiando a intervenção da Parque Escolar na escola, Maria do Rosário Gama destacou, por outro lado, "uma grande mudança na massa humana que compõe o corpo docente", com a substituição de cerca de 50 por cento dos docentes, "resultante da decisão de muitos em abandonar antecipadamente a atividade docente, com grandes penalizações nas suas reformas e desgostosos com a política seguida pela anterior equipa ministerial".

Na sua ótica, "é necessário que todas as medidas, todas as transformações necessárias no sistema de ensino sejam decididas com base na aceitação do princípio de que os professores estão tão interessados no êxito e sucesso dos seus alunos como os próprios alunos e os seus encarregados de educação".

 

*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***

 



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