Visita papal

O adeus papal. Bento XVI já vai a caminho de Roma

por Marta F. Reis com Lusa, Publicado em 14 de Maio de 2010   
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Centenas de milhares de peregrinos, um chefe de Estado e o horário preprarado para 4 dias de visita papal só falhou em 13 minutos. Eram 14h13 quando o avião da TAP descolou em direcção a Roma. Mas ao almoço Bento XVI ainda vai comer pratos tipicamente portugueses: cherne dos Açores e vitela Barrosã, além de queijos e sopa de morangos com requeijão. Um regresso saboroso à Santa Sé depois de uma viagem que organização e peregrinos consideraram já um sucesso.
No Aeroporto Internacional Sá Carneiro, no Porto, Bento XVI dirigiu umas breves últimas palavras aos portugueses que culminaram num "adeus" acentuado - uma expressividade que só muito recentemente começou a pautar o discurso público de Bento XVI, notou o porta-voz Federico Lombardi numa das conferências com os jornalistas nos últimos dias.
No discurso de despedida, Bento XVI agradeceu a presença de Cavaco Silva durante todos os momentos da visita. "Continue esta gloriosa Nação a manifestar a grandeza de alma, profundo sentido de Deus, abertura solidária, pautada por princípios e valores bebidos no humanismo cristão", disse o Papa, que adiantou ter rezado em Fátima "pelo mundo inteiro, pedindo que o futuro traga maior fraternidade e solidariedade, um maior respeito recíproco e uma renovada confiança e confidência em Deus".
O Presidente da República falou depois do Papa, agradecendo a "a decisão de aceitar o convite que Vos dirigi para efectuar esta visita a Portugal." Na altura em que a visita do Papa foi anunciada pela Presidência da República, o facto de Cavaco Silva ter omitido o papel da Conferência Episcopal Portuguesa causou alguma estranheza entre o clero. O papel da CEP voltou agora a ficar fora do discurso. Cavaco Silva sublinhou ainda "a bondade humana, o carisma sereno, a profundidade de pensamento, a fortaleza de ânimo" do Papa, como "sinais inspiradores num tempo de grandes desafios como aquele que atravessamos."
Federico Lombardi também fez uma declaração final: "O papa era pouco conhecido em Portugal e era considerado uma pessoa fria. Com esta viagem, ficou uma imagem familiar e amiga e a sua personalidade discreta e gentil."
As pessoas saíram às ruas do Porto para acolher o Papa, numa recepção mais calorosa ainda que a de Lisboa com as ruas completamente cheias à passagem do Papa. O ponto mais curioso do dia foi até ao momento a entrega de uma guitarra de fibra de carbono ao chefe máximo da igreja católica, com um gosto conhecido pela música e pelo piano. Outra oferta tecnológica foi uma t-shirt para monitorizar os sinais cardíacos, tudo produto de projectos de investigação da Universidade do Porto.
Em Fátima a missa do 13 de Maio, centro da viagem do chefe máximo da igreja católica ao país, reuniu meio milhão de peregrinos. Esta manhã a missa na avenida dos Aliados reuniu 120 a 150 mil pessoas, anunciou há instantes o porta-voz do Vaticano Federico Lombardi.
Para as 13h30 está marcada a cerimónia de despedida no Aeroporto Internacional Sá Carneiro, onde Bento XVI dirá as últimas palavras ao país. O voo papal parte às 14 horas para Roma.
O final da última celebração de Bento XVI em Portugal superou o entusiasmo dos últimos dias. Estudantes universitários oferceram as capas a Bento XVI antes do Papa se dirigir aos jovens a partir da Câmara Municipal do Porto e deixar uma benção respondida com um "Ámen" gritado. O curto discurso do papa Bento XVI antes da missa, em que agradeceu a alegria dos jovens e disse que infelizmente não seria possível alargar a estadia no Porto, foi interrompido pelos aplausos dos jovens.
Missa nos Aliados Bento XVI começou a celebrar a missa na Avenida dos Aliados pelas 10h30, com 15 minutos de atraso. Antes, recebeu as chaves da cidade e cumprimentou os portuenses num percurso de 2,5 quilómetros.
Na cerimónia de quase duas horas, Bento XVI apelou a um reforço do papel missionário da Igreja num mundo moderno em que se alterou "o quadro antropológico, cultural, social e religioso da humanidade". A homilia de Bento XVI durou 15 minutos e pediu aos cristãos para serem testemunhos, uma das mensagens constantes desta visita papal. "Temos de vencer a tentação de nos limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro: seria morrer a prazo, enquanto presença de Igreja no mundo." Sublinhou ainda que, perante a ausência deste espírito, "limitarmos ao que ainda temos, ou julgamos ter, de nosso e seguro: seria morrer a prazo, enquanto presença de Igreja no mundo, que aliás só pode ser missionária, no movimento expansivo do Espírito." Leia a homilia completa no site do Vaticano.
Chegada
ao Porto O papa Bento XVI aterrou no Porto, vindo de Fátima, às 09:46. À sua espera estavam o bispo Manuel Clemente, o presidente da Câmara de Gaia, Luís Filipe Menezes, que lhe vai dar o diploma de cidadão honorário da cidade, e a governadora civil do Porto, Isabel Santos.

O helicóptero que transportou o papa desde Fátima foi o terceiro a aterrar em Gaia, depois de terem chegado aqueles em que viajaram os jornalistas que acompanham o papa mais de perto (os chamados vaticanistas) e o séquito papal.



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