A verdade no caso BPN segundo Oliveira Costa

por Ana Suspiro e Filipe Cardoso, Publicado em 26 de Maio de 2009   
O ex-presidente do BPN vai, pela primeira vez, contar aos deputados a sua versão dos acontecimentos. E pode comprometer ex-colaboradores
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Depois de meia centena de audições, Oliveira Costa regressa hoje à comissão parlamentar de inquérito para "pôr os pontos nos is" e contar aos deputados que não será o único responsável pelas irregularidades detectadas no BPN. Esta é a convicção das várias personalidades ligadas ao caso e ouvidas pelo i, que apontam o avolumar de testemunhos contra Oliveira Costa como a principal razão para o ex-banqueiro rever a posição assumida na primeira audição: a 13 de Janeiro deste ano, já sob prisão preventiva, Oliveira Costa recusou responder às perguntas dos deputados invocando a sua condição de arguido.

Para Honório Novo, deputado do Partido Comunista, a mudança de comportamento só se explica "pela vontade de eventualmente desmentir e contrariar declarações que ouviu nas sessões anteriores". A audição, continua, irá mostrar quem é que Oliveira Costa "vai querer levar consigo". Também Nuno Melo, do CDS, acredita que o banqueiro pretende explicar que o que se passou no BPN "não foi obra de um homem só.

A audição será a oportunidade de Oliveira Costa fazer a sua defesa e exercer o contraditório, mas também de explicar o grau de envolvimento dos principais administradores, sobretudo de Dias Loureiro e Luís Caprichoso, que saíram do banco antes de serem conhecidos os problemas, diz João Semedo, do BE.

Para Hugo Velosa, do PSD, é notório que algumas testemunhas não disseram tudo quanto sabiam e que procuraram fugir às suas responsabilidades. O deputado recusa, contudo, referir nomes.

O testemunho de Oliveira Costa será ainda essencial para clarificar a relação com o Banco de Portugal e actuação da supervisão neste caso. Ricardo Rodrigues, do PS, admite que as declarações possam suscitar novos pedidos de audição. A segunda sessão com o ex-líder do banco será, em princípio, de porta aberta. Mas ontem não era claro se os deputados iriam colocar todas as questões.

Quem terá mais razões para temer as declarações do ex-líder do BPN? Sobretudo ex-colaboradores próximos que agora negam envolvimento ou conhecimento das irregularidades reveladas. Os esquecimentos e contradições de Dias Loureiro poderão fazer do ex-administrador da Sociedade Lusa de Negócios (a holding que era dona do BPN) um dos principais alvos, segundo a edição de ontem do "Correio da Manhã". Mas alguns dos antigos braços direitos no grupo também poderão ser visados, porque Oliveira Costa terá considerado que foram quebrados laços de lealdade que tentou preservar aquando da sua detenção, refere uma fonte ouvida pelo i. "Os meus colaboradores são todos cegos, surdos e mudos", terá sido o desabafo feito a pessoas próximas, e citado pelo "Correio da Manhã", segundo o qual o ex-presidente do banco irá revelar o dinheiro que terão recebido do BPN, em particular Luís Caprichoso, ex-administrador, que abandonou o seu cargo em 2007. Caprichoso invocou condição de arguido para não responder na primeira audição. Da segunda vez foi ouvido à porta fechada.

Para além destes dois casos, poderá haver outros. O ex-administrador Francisco Sanches revelou aos deputados o envolvimento do filho de Oliveira Costa, que era também administrador da SLN, na transferência de contas de clientes do BPN Cayman para o Banco Insular. Já António Campos, ex-director de operações do banco, estará, diz a imprensa, a colaborar no processo do Ministério Público contra o ex-homem forte do BPN.


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