EM DIRECTO dos jardins de Downing Street ouvimos os dois principais responsáveis do governo de Sua Majestade dizer: "Este será um governo unido sob três princípios fundamentais: liberdade, equidade e responsabilidade." Estas são três ideias referenciais, é certo. Porém, não dizem muito. Gordon Brown poderia tê-las afirmado e ninguém notaria qualquer diferença. Mais importante é saber se, e por quanto tempo, o governo se vai manter unido. E esse é, neste período dominado por crises financeiras, o ponto essencial. A City de Londres fica mesmo ao lado de Westminster, e os mercados tendem a ficar muito nervosos quando pressentem qualquer sinal de instabilidade. Neste momento o que se exige do governo é firmeza na manutenção do rumo da consolidação orçamental. A palavra de ordem é autoridade, não propriamente novidade. Ora, quando é sabido que o novo vice-primeiro-ministro terá a seu cargo a incumbência da reforma do sistema político, isso poderá significar uma de duas coisas: ou Nick Clegg terá a árdua tarefa de pacificar as hostes reformistas dos Lib-Dems, ou a sua actividade governativa poderá começar a ser vista como uma bomba-relógio. Na mesma frase o líder dos Lib-Dems conjuga duas ideias dificilmente compatíveis: "um governo reformista, radical" e "uma fonte de estabilidade e segurança." Talvez não por acaso, David Cameron chamou para o seu gabinete três pesos--pesados: William Hague, Ken Clarke e Iain Duncan Smith. Como o próprio Clegg referiu, cabe-lhes "demonstrar aos cépticos (...) que eles estão errados." Os dados estão lançados.
Doutorado em Ciência Política pelo Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica




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