Bela entrevista de Domingos Paciência à Sport TV, esta segunda-feira. Alicerçado num discurso seguro e numa auto-estima justificadamente bem cuidada, o treinador do Braga foi bastante inteligente ao reconhecer o mérito do Benfica na obtenção do primeiro lugar do campeonato.
Saber perder – ainda que seja quase um crime falar em “perder” após esta brilhante temporada bracarense – é uma das virtudes exigíveis aos melhores.
Durante algumas semanas, Domingos resvalou perigosamente para um discurso de vitimização que em nada o beneficiava a ele ou ao seu clube.
Na referida entrevista o técnico manteve as ideias-base, sem se coibir de referir os castigos de jogadores fundamentais e a alegada má preparação da época com que se deparou ao chegar. Falou, inclusivamente, de machadadas anímicas provocadas por alterações de datas de jogos do Benfica, mas com a lucidez de afirmar que teria feito exactamente o mesmo e que o fará no próximo ano, desejando como deseja estar na Liga dos Campeões e ter, em consequência, um calendário mais apertado.
Mantendo, então, as razões de queixa que entende ter, Domingos soube fazê-lo com desportivismo, reconhecendo a superioridade do Benfica e admitindo, mesmo, que Di María foi o melhor jogador da Liga.
O treinador do Braga deu ontem dois passos em frente na consolidação como profissional de elite: este, do fair play, e um outro, quando reivindicou ser tempo de deixarem de conotá-lo com o FC Porto. O passado não se apaga, mas Domingos foi muito claro ao afirmar o que pretende – afirmar-se como treinador e não admitir que duvidem do seu profissionalismo por um minuto que seja. “Não ando aqui para beneficiar ninguém a não ser o clube em que trabalho”, eis a mensagem.
Quanto ao futuro do Braga, as cautelas necessárias: seria fanfarrão declarar-se como um dos principais candidatos ao título de 2011, mas fica-lhe muito bem dizer que pretende continuar a intrometer-se entre os grandes. O futebol português agradece.




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