A ponta dos dedos. Jorge Colombo não precisou mais do que da ponta dos dedos para fazer a capa do mais recente número da "New Yorker". O ilustrador, fotógrafo, artista gráfico e realizador a viver nos EUA desde 1989, é o primeiro português a conseguir mostrar o seu trabalho numa das mais respeitadas 'montras' da imprensa mundial.
Para o conseguir, utilizou apenas o seu iPhone e o Brushes, um software simples disponível para download por cerca de três euros e meio. O desenho que publica na "New Yorker" com honras de capa increve-se dentro do tipo de trabalhos que tem feito durante toda a carreira. Só muda o meio.
"É a continuação de um trabalho que faço desde a adolescência: desenhar paisagens urbanas", conta Colombo, designer responsável pelo projecto gráfico de "O Independente" e autor do romance fotográfico "Do Grande e Pequeno Amor", concebido a meias com a escritora Inês Pedrosa.
As novas tecnologias e a paisagem norte-americana fascinam o português que descreve assim o seu método de trabalho: "Ando pela cidade. Descubro um sítio que me parece interessante e fico em pé a desenhar com as pontas dos dedos. Pareço um homem estátua. Ninguém me incomoda porque parece que estou a escrever uma mensagem ou a navegar na net".
A capa foi uma encomenda da directora de arte daquela publicação, Françoise Mouly, que destaca do trabalho de Colombo um uso da tecnologia onde, em vez de fazer as coisas parecerem mais rígidas, se transmite uma sensação de liberdade: "E é isso que faz com que [a imagem] seja tão poética e mágica".
Os iSketches (assim se chamam estes desenhos feitos no iPhone) são para muitos ainda uma curiosidade. E foi por terem um pouco de insólito que conseguiram a atenção dos media norte-americanos e ingleses muito antes desta capa. Mas para Jorge Colombo este não é um meio do futuro, mas sim do presente. "Fazem-se artigos sobre os iSketches como antigamente se faziam artigos sobre aquelas pessoas que mandam cartas pelo computador", ironiza entre gargalhadas.
Em Nova Iorque, onde vive, vêem-se iPhones "pessoa-sim, pessoa-não" e porque o Brushes é um software barato, Colombo gostava que mais gente fizesse o que ele faz - "exercitar a criatividade como quem se exercita num ginásio". É essa mesma facilidade que fascina o criador. "Houve um tempo em que para ser artista tinhas e gastar uma pipa de massa, hoje qualquer pessoa pode usar estas ferramentas".
Confira em baixo o vídeo do making off da capa.




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