Ernâni Lopes diz que o Presidente da República está a desempenhar "as suas funções" e a assumir "as suas responsabilidades" ao renuir com antigos ministros das finanças.
Questionado pela agência Lusa se, ao convocar aqueles ex-governantes, Cavaco Silva não estaria a extravasar as suas competências, Ernâni Lopes considera que não. "Não me parece, a título nenhum", afirma.
"O Presidente da República fala com os cidadãos que entende", acrescenta Ernâni Lopes, que falava à Lusa, em Coimbra, onde se deslocou, na sexta feira, para participar numa conferência sobre 'gestão de cidades'.
O ex-ministro das finanças afirma que não faz "a mais pequena ideia" do conteúdo da reunião de hoje e para a qual vai com "expetativas que não são muito diferentes das de todos os portugueses", escusando-se, no entanto, a adiantar quais são.
O chefe de Estado terá convocado esta reunião por encarar com "grande preocupação o futuro" do país, admite.
Sobre a atual situação económica financeira de Portugal, Ernâni Lopes advoga que, "no imediato", terão de ser adotadas "medidas de estabilização mais intensas do que as previstas no PEC" (Pacto de Estabilidade e Crescimento).
Entre o aumento de impostos e a supressão do subsídio de férias e/ou 13º mês, o antigo ministro de Cavaco Silva considera mais "indicada" a primeira possibilidade, que, todavia, não deverá excluir a necessidade de uma subida de impostos, sustenta.
Para o ministro das finanças do IX governo constitucional, o não pagamento parcial ou total dos subsídios de férias e/ou natal tem efeitos imediatos na economia, que, também por isso, considera "mais eficaz" o aumento dos impostos indiretos, em vez dos impostos diretos.
A opção pelo aumento dos impostos indiretos também se apresenta, na perspetiva do professor da Universidade Católica, menos "penalizante" para o contribuinte do que a "eliminação de prestações mensais", mas esta também deverá ser inevitável, acrescenta.
Sobre a possibilidade do subsídio de férias e/ou 13º mês serem pagos com obrigações ou títulos do tipo certificados de aforro, pensa que "não faz sentido", é "adiar" um problema.
Ernâni Lopes não quis adiantar se vai defender estas ideias, hoje, junto do Presidente da República - "já falei com ele", limita-se a afirmar.
O Presidente da República recebe hoje um conjunto de economistas e antigos governantes conhecidos pela sua oposição ao lançamento do novo aeroporto e da alta velocidade ferroviária, numa altura em que Portugal enfrenta uma forte degradação das condições de financiamento nos mercados internacionais e é, ao mesmo tempo, obrigado a reduzir o défice e a trajetória de aumento da dívida pública, ao abrigo das condições enunciadas no Programa de Estabilidade e Crescimento.
Entretanto, indo ao encontro desta posição crítica das grandes obras públicas, o primeiro ministro anunciou na sexta feira em Bruxelas, após uma reunião do Eurogrupo, o adiamento de grandes investimentos públicos, como as obras do futuro aeroporto e a terceira travessia do Tejo, no quadro do esforço de acelerar as medidas de consolidação orçamental.
Em reação, o Presidente da República disse que a decisão do Governo de reponderar todas as grandes obras públicas não adjudicadas "vai ao encontro daquilo que muitos economistas e políticos têm defendido". Os partidos dividiram-se entre o apoio à decisão do governo e as críticas ao facto de não ter adiado também o TGV.
"Este texto foi escrito ao abrigo do novo acordo ortográfico"




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