Almada. Operacionais da PSP eliminam ex-agente em troca de tiros

por Augusto Freitas de Sousa, Publicado em 08 de Maio de 2010   
Chamou a polícia a sua casa e desatou aos tiros. Só parou depois de ter sido morto por agentes das Operações Especiais
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Uma das munições disparadas ainda na rua atravessou um ecoponto, o blusão de um agente da PSP e parou, inexplicavelmente, antes de lhe perfurar a pele do peito. O agente nem queria acreditar na sorte que teve depois de perceber que a morte esteve a milímetros, no início de uma troca de tiros que viria a terminar com a morte de José Pereira, de 52 anos, um ex--agente da PSP reformado compulsivamente há 15 anos por perturbações psicológicas.

A história começa na madrugada de ontem, pelas 1h30, com uma chamada para a esquadra do Laranjeiro, em Almada, com a denúncia de um assalto em curso na Rua Francisco de Melo e Noronha. Dois agentes, um homem e uma mulher, pararam junto de José Pereira, que estava na rua e fez sinal aos agentes de que queria falar com eles. Quando estes pararam, José Pereira apontou de imediato uma arma à cabeça do condutor, o mesmo agente que mais tarde quase viria a ser baleado. Este conseguiu arrancar e evitar ser atingido na cabeça. José Pereira disparou depois contra o vidro da porta de trás do carro e a bala alojou-se no encosto de cabeça do condutor. O automóvel da PSP parou mais à frente e os dois agentes refugiaram--se atrás de um ecoponto, enquanto José Pereira continuava a disparar. Uma das balas viria a ficar entre o corpo e o blusão do agente.

O i apurou que os dois agentes pediram reforços e, antes mesmo de chegarem os elementos do Grupo de Operações Especiais (GOE), um agente da esquadra do Laranjeiro fechou a porta e saiu em defesa dos colegas. José Pereira refugiou-se dentro de casa, num terceiro andar, e, apesar dos esforços dos negociadores, continuou sempre a disparar sobre os ex-colegas. Durante a troca de tiros acabou por ser ferido mortalmente pelos elementos dos GOE.

A razão do sucedido ainda não foi apurada, mas tudo indica que uma notificação recebida por José Pereira terá desencadeado a reacção violenta. Segundo fontes policiais, o reformado da PSP devia responder a uma queixa de violência doméstica apresentada por uma mulher.

Contactado pelo i, o presidente do Sindicato Unificado da Polícia de Segurança Pública (SUP), Peixoto Rodrigues, levanta a questão da arma disparada pelo agente reformado. O sindicalista deixa pergunta no ar: "Como é possível que um agente reformado compulsivamente por perturbações mentais possa continuar a ter licença de porte de arma?"

Peixoto Rodrigues insurgiu-se ainda contra o comando policial de Almada, que não suspendeu o serviço do agente "que quase morreu" e "depois de ter sido ouvido pela PJ ainda entrou num serviço gratificado". Segundo as contas do presidente do SUP, o agente esteve a pé toda a noite, de manhã foi para a PJ e de tarde entrou de serviço no Hospital Garcia de Orta, em Almada, até às 20h. E, acrescentou o dirigente, entra de serviço às 7h. Peixoto Rodrigues garante ainda que há apenas dois coletes à prova de bala na esquadra do Laranjeiro.


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