Editorial
i nem tudo muda num instante
por Manuel Queiroz , Publicado em 07 de Maio de 2010
Ninguém sabe o que será a informação e o jornalismo dentro de dez anos, mas não tenho dúvidas de que terá muito do que o i trouxe
O diário i faz hoje um ano. Foi pensado para ser mais do que um jornal e é mesmo mais do que um jornal - é uma marca que já é respeitada e até admirada pela ousadia, pelo arrojo, pela diferença que marcou.
I num instante tudo muda, foi o slogan de lançamento do i.
Muda mesmo. Por curvas do destino em que as revoluções são férteis - e o i foi uma revolução num instante -, cabe-me a mim ser o director neste momento tão particular e significativo. Mas não posso deixar de sublinhar, antes de mais, que o i existe porque tem um accionista que arriscou - o Grupo Lena -, e porque alguém teve uma ideia - o Martim Avillez Figueiredo. Uma ideia brilhante pela qual todos temos um enorme respeito. Todos os que aqui trabalhamos e muitos milhares de leitores, em Portugal e não só.
O i tornou-se uma marca com muitas coisas dentro: um grafismo diferente, uma linguagem inovadora no reino da imagem, uma cultura de seriedade e um olhar para o que se passa em Portugal mas também no mundo. Também a recusa do fácil e do jornalismo light, por exemplo. Com erros por palavras e omissões, mas sempre de boa-fé.
Ninguém sabe o que será a informação e o jornalismo dentro de dez anos, mas não tenho dúvidas de que terá muito do que o i trouxe.
O galardão de Jornal Europeu do Ano foi apenas um dos muitos com que o i foi distinguido ao longo deste ano imberbe.
E todos os dias nos chegam pedidos de todo o mundo - um dos últimos foi de um jornal da Coreia do Sul - a solicitar conselhos ou orientações, a perguntar-nos que opção fizemos em determinada secção do jornal, porque acham que devemos ter feito bem e querem ter em conta a nossa opinião. São estímulos num panorama que não é fácil, por tudo o que se sabe e porque o negócio da informação é daqueles em que é mais difícil prever o patamar em que vai estabilizar neste momento de mudanças de paradigmas na vida das pessoas e na economia dos países. É preciso inovar, experimentar, estar atento a todos os suportes e procurar aqueles a que o público dá melhores respostas. É isso que o i tem feito e vai continuar a fazer, num esforço por se desenvolver e consolidar, porque um ano na vida de um jornal é o mesmo que um ano na vida de uma pessoa: é apenas um instante.
O nosso compromisso é com a qualidade, com uma forma de organizar e transmitir a realidade que conta com o caudal informativo 24h/24h de todos os outros suportes em que hoje viaja a informação. É também um compromisso com a independência, a diversidade e o debate político, social e económico que se faz nestes tempos em que está a regressar o belo combate das ideologias, porque tudo parece estar outra vez em causa.
Tudo muda às vezes em menos de um instante. Mas uma democracia não se desenvolve sem jornalismo e, arrisco, não existe sem jornais. Nem tudo muda num instante.
Às vezes mudamos o i num instante, mas vai ser preciso um século para mudar o ADN do i.
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