É verdade que gosto mais, confesso, de ver jogar o Messi. Adoro o Ronaldo, admiro-o profundamente - mais ainda que aquele talento inato e explosivo admiro a forma séria, muito séria, como encara a profissão, acreditando nos testemunhos de quem o viu ou vê trabalhar todos os dias e na espectacularidade com que parece a cada semana ser melhor jogador.
Mas há um encanto qualquer no futebol do Messi que o do Ronaldo não me transmite. Pode ser, acredito, um bracinho a acenar no subconsciente, um bracinho com um bom par de anos que me faz relacionar o Messi com o Maradona, esse inigualável jogador a quem até a mão na bola se pôde perdoar. Ou então é do pé esquerdo. O pé esquerdo que tentei aperfeiçoar durante uns anos até perceber que seria melhor dedicar-me a outras lides, que a vida de futebolista tem privações para as quais me senti impreparado logo ali pelos 18 anos.
Acompanho entusiasmado o pingue-pongue da recta final da Liga espanhola. Messi marca dois, Ronaldo outros dois. Ao fim de dois dias está o Messi a marcar mais dois, ao terceiro dia o Ronaldo responde com três (eles aqui ao lado são menos minuciosos com as teorias do descanso).
Sim, eu sei que o colega de equipa Higuaín tem mais um golo no campeonato que o Cristiano, mas convenhamos: o Real Madrid anda um ponto atrás da melhor equipa do mundo porque tem o Cristiano. E se for campeão sê-lo-á, acima de todos, pelo Cristiano. É chato e injusto, isto de uma estrela ficar com os louros aproveitando o trabalho de mais duas mãos cheias de operários, mas é a vida.
Entretanto penso cada vez mais no Mundial. Penso que adorava ver o Cristiano de Manchester e de Madrid levar Portugal ao colo até uma glória qualquer.
Na guerra aqui do lado (mais uma confissão) prefiro que ganhe o Messi. Porque é o melhor do mundo e joga na melhor equipa do mundo. E porque já chega, ao Barcelona, a injustiça artística de não estar na final da Champions.
Mas na África do Sul a história é outra. Espero que Portugal e Argentina se encontrem e que finalmente um dos nossos possa, no palco maior, ser melhor que o outro melhor do mundo. Já me chega ter visto o Figo, duas vezes, ser ultrapassado pelo Zidane à beira da meta.
Em 2010 gostava mesmo que o Ronaldo fosse melhor que o Messi. E que o seu futebol me passasse a encantar mais que o do Messi, a partir do momento em que me falasse ao coração e aos sentidos.




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