Crise
Ministro faz jantar secreto sobre grandes investimentos
Publicado em 06 de Maio de 2010
António Mendonça jantou ontem com 20 economistas e gestores para discutir a situação e os grandes investimentos em obras públicas
"O futuro começa hoje" afirmou ao i um dos convidados que ontem foram discutir com o ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações o estado das finanças portuguesas e a situação económica internacional. Mais do que um jantar, a reunião no hotel Radisson, em Lisboa, foi um encontro de trabalho, relativamente informal, promovido por António Mendonça, que teve como tema a actualidade e os investimentos públicos. Em comum, os presentes tem a convicção de que as grandes obras são uma necessidade e, entre os convidados, estiveram José Brandão de Brito (economista do ISEG), João Ferreira do Amaral (professor catedrático do ISEG), João Confraria (professor Universidade Católica Portuguesa), Luís Nazaré (professor do ISEG) e Rosalina Machado (empresária).
A iniciativa partiu do Clube do Cais Sodré, um grupo de economistas de que o ministro António Mendonça foi fundador, mas os convites acabaram por porvir do próprio António Mendonça. O ministro já quisera ouvir os seus pares sobre a temática dos investimentos públicos, mas acabou por ver-se obrigado a faltar ao jantar marcado pelo seu clube. Ontem foi a oportunidade para essa discussão, que acabou por ser alargada a cerca de 25 pessoas.
Os participantes, maioritariamente economistas e gestores, embora com alguns (poucos) empresários à mistura, mantêm o apoio aos principais investimentos públicos, como a linha Lisboa-Madrid de TGV, a Terceira Travessia do Tejo (TTT) e o novo aeroporto de Lisboa, defendendo alguns que o "reescalonamento" de alguns dos projectos, que já se verificou, é suficiente.
Alguns dos participantes disseram ontem ao i que esperavam uma conversa aberta sobre os grandes investimentos públicos. Aos membros do Clube do Cais do Sodré, António Mendonça já tinha afirmado querer ouvir as suas opiniões. Pelos vistos, o ministro decidiu abrir o grupo e alargar a conversa a mais pessoas. E nem todas elas fazem parte do Grupo dos 31. Luís Nazaré, um dos fundadores do Clube do Cais do Sodré, disse ontem ao i que quase todos os participantes no jantar integraram o Manifesto dos 31, mas que foram também convidadas pessoas de fora.
O Manifesto dos 31 foi tornado público em Setembro do ano passado (o terceiro dos vários que se sucederam a apoiaram ou a mostrarem-se contra os investimentos do Estado nas grandes obras públicas) e defendia essencialmente que parar as obras públicas seria hipotecar o futuro.
o clube do cais do Sodré Foi criado em Janeiro deste ano, mais ou menos na altura em que um dos seus seis fundadores foi convidado para a pasta das Obras Públicas, Transportes e Comunicações. O Clube era constituído por mais 5 economistas: Luís Nazaré, Brandão de Brito, João Ferreira do Amaral, João Confraria e Manuel Caldeira Cabral. Na altura, Luís Nazaré definia-o como "um clube com ambição", que pretendia "lançar temas para discutir na esfera económica e que reflictam Portugal no mundo, tendo em conta a realidade portuguesa, a nossa capacidade de fazer". Um dos fundadores já é ministro. Mas não deixa de querer ouvir os outros membros do seu clube.
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