Os Correios de Portugal esperam manter 90 por cento do mercado dos serviços postais após a liberalização e aguardam a transposição da diretiva pelo Parlamento para saber das contrapartidas que serão atribuídas à empresa para manter o serviço postal universal.
"Vamos manter uma posição muito significativa, com 90 por cento ou mais da quota de mercado", disse à Lusa o presidente do Conselho de Administração dos CTT, Estanislau Mata Costa, à margem de uma conferência de imprensa sobre a consciência ambiental dos correios, que vai levar à distribuição de 300 bicicletas elétricas pelos carteiros.
Questionado sobre se os CTT continuarão a assegurar, após a liberalização, serviços e rotas menos rentáveis ou que até dão prejuízo, o presidente preferiu não responder mas mais tarde adiantou que aguarda pela transposição da diretiva comunitária sobre a liberalização dos serviços postais para a lei portuguesa pela Assembleia da República.
"Na transposição da diretiva têm de ser clarificadas as contrapartidas para o serviço universal. Já sabemos que os novos operadores vão atacar as rotas e serviços mais rentáveis", afirmou.
"Também queremos saber se vai ser mantido o contrato de concessão [entre o Estado português e os CTT] até 2030 e as regras que serão impostas aos novos operadores, como mínimos de cobertura do serviço ou mínimos salariais", acrescentou o responsável.
Assim que for iniciada a discussão da lei no Parlamento, a administração da empresa vai apresentar um parecer sobre o assunto e serão marcados encontros entre o regulador, o ministro da tutela e os grupos parlamentares para apresentar pessoalmente a posição.
No entanto, a administração dos CTT garante estar preparada para o mercado liberalizado. "A diversificação que lançamos nos últimos anos faz com que atualmente o grupo dependa dos correios em apenas 70 por cento", recordou o administrador Marques Baptista.
Relativamente ao pedido de exceção que os CTT apresentaram ao Ministério das Finanças sobre o congelamento de salários imposto pelo Governo para as empresas públicas, Estanislau Mata Costa disse à agência Lusa que ainda não obtiveram qualquer reação mas reconheceu que será difícil uma resposta positiva tendo em conta "o que se tem passado nos últimos dias na Europa e as medidas de austeridade que foram pedidas".
O presidente dos CTT recusou falar sobre a privatização da empresa, prevista no Programa de Estabilidade e Crescimento. A frase "no comment" [sem comentários] foi repetida duas vezes.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico




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