Menezes: Acabar com as empresas municipais "é um hino à imbecilidade"

por Miguel Ângelo Pinto, Publicado em 04 de Maio de 2010   
Câmara de Vila Nova de Gaia quer abater 50 milhões ao passivo do terceiro maior município português
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A Câmara de Gaia vai aplicar uma espécie de PEC (Programa de Estabilidade e Crescimento) na autarquia com medidas que pretendem abater 50 milhões de euros ao passivo. O anúncio foi feito por Luís Filipe Menezes, que adiantou ao i que cerca de 80% dessa verba resultará de cortes com a despesa corrente do terceiro maior município do país.

"O que vamos tirar ao investimento é uma parcela muito pequena", diz Menezes, lembrando que "os problemas de tesouraria são reais - até porque temos de pôr o dinheiro e só somos ressarcidos seis meses, às vezes um ano depois." Como exemplo de despesas a repensar estão os gastos com pavilhões escolares construídos em terrenos da Câmara. "Damos o terreno ao Estado e ainda temos de suportar uma despesa anual de 280 mil euros na manutenção", argumenta. "Se o Estado quiser negociar com a Câmara de Gaia a partir de uma plataforma justa, estamos disponíveis para ficar com o parque escolar, mas com o guarda-chuva financeiro necessário."

Apesar de ironizar com o PEC que está a implementar em Gaia (onde o "C" é de convergência), Menezes diz que as medidas de contenção "visam alcançar sustentabilidade financeira, que permita o crescimento no futuro". A meta de abater 50 milhões ao passivo não é, nas palavras do autarca, uma miragem, tão-pouco incompatível com o "desenvolvimento sustentado do concelho".

Menezes reclama um grande debate em torno das finanças locais, onde toda a gente possa ser ouvida, "e não sempre os mesmos, que vivem entre o Chiado e o Tejo", tecendo duras críticas à forma como são aferidas as dívidas e o papel de mau da fita que recai sobre as empresas municipais. "É um hino à imbecilidade esta ideia de acabar com as empresas municipais", frisa Menezes, dando o exemplo: "Se acabarem com a EMEL, alguém vai ter de gerir os parquímetros da capital, integrando-se trabalhadores na câmara, criando-se directores municipais, chefes de secção... Reduz-se zero na despesa."

Apesar do aperto de cinto que a Câmara de Gaia prepara, Menezes garante que o investimento no concelho vai continuar. Obras como o teleférico do centro histórico, a última fase de requalificação do Convento Corpus Christi, a renovação da estação de comboios de General Torres ou a reabilitação de Vila d'Este (a maior operação de requalificação urbana em curso na Europa) são algumas das que já estão no terreno. Há ainda dois grandes investimentos a dar os primeiros passos: a renovação de toda a orla fluvial (projecto Encostas do Douro) e o prolongamento da Avenida da República até ao mar, que virão num novo ciclo político, já sem Menezes ao leme.


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