Não era de esperar outra coisa: o Benfica vai ter de aguentar mais uns dias até festejar o previsível 32.º título de campeão português. Perdeu no Dragão e o Braga não facilitou. Claro que há sempre o espaço da dúvida e da incerteza, mas essa passará mais, nesta altura, por receios benfiquistas do que propriamente por esperanças bracarenses (e portistas, e sportinguistas). No domingo, os encarnados devem golear e fazer a festa, ainda que o Braga vença, como se espera, no campo do Nacional da Madeira.
Pronto, está feito o guião da semana que vem, com os riscos que as previsões têm – e cá estaremos para avaliar isso depois, que só assim é que tem graça.
Entretanto, vale a pena perceber como tudo, neste domingo, se passou como previa o guião da razoabilidade na semana passada:
Antes do jogo: pedradas, hostilidade, bate-bocas, notícias contraditórias. Autocarros que foram apedrejados, depois não foram e afinal tinham sido, vidros que atingiram a cara de jogadores que depois apareceram incólumes no banco, adeptos atacados por apoiantes rivais. Escoltas policiais, muitos ânimos exaltados, ódio latente. Polícias a falar mais do que deviam. Nada de novo.
Durante o jogo: nervosismo, ímpeto, tensão, os ingredientes próprios de um clássico. Árbitro baralhado a distribuir cartões à tripa-forra, até chegar à inevitável e discutível expulsão da ordem – mais um ingrediente habitual, mas este dispensável. Benfica a mostrar-se melhor equipa, FC Porto a encher-se de brios e a não permitir a festa do maior rival em casa própria. Bons momentos de futebol, bons golos. Muita pancada, alguma dela a pisar a fronteira mas quase sempre dentro do razoável. Objectos a voar da bancada, jogadores a responder na mesma moeda. Braga a ganhar ao Paços de Ferreira, dê por onde der (e já agora Sporting a perder em casa, algo que hoje já vai espantando pouca gente).
Depois do jogo: portistas exultantes, apesar de acabarem de perder o acesso à Liga dos Campeões em função da vitória do Braga. Benfiquistas meio frustrados, mas serenos perante o jogo da próxima semana com o Rio Ave. Treinadores zangados com o árbitro. Porta-vozes, comunicados e contracomunicados a manter o nível de hostilidade na fervura, como que a marcar encontro para uma próxima oportunidade, seja esta próxima vez no Porto, em Lisboa ou onde se disputar a Supertaça Cândido de Oliveira. Nada de novo...




Rating: 0.0
Actividade em ionline