A promoção dos interesses económicos de Portugal na Guiné Equatorial foi o tema principal da visita oficial de dois dias que o chefe da diplomacia portuguesa efetuou à Guiné Equatorial, disse hoje à Lusa o ministro Luís Amado.
"A visita teve um objetivo muito claro: dar mais apoio à penetração dos interesses económicos portugueses na Guiné Equatorial", disse Luís Amado, contactado telefonicamente a partir de Lisboa.
Nesse sentido, o ministro dos Negócios Estrangeiros viajou com uma delegação de empresários, que incluiu representantes da Galp e de outros setores como construção civil, madeiras, energias renováveis, serviços de saúde ou aviação, e com uma delegação da Agência de Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP).
"Há aqui já um número significativo de empresas (portuguesas) mas muito aquém do potencial desta economia em crescimento muito rápido", frisou Luís Amado, que acentuou que o "objetivo principal" da deslocação "foi sobretudo reforçar as nossas relações económicas e comerciais, garantindo uma presença maior das empresas portuguesas na Guiné Equatorial".
A presença de representantes de 40 empresas portuguesas traduz para o chefe da diplomacia portuguesa "o interesse que têm em encontrar marcados alternativos para os seus negócios".
Na visita de dois dias, Luís Amado encontrou-se com o Presidente Teodoro Obiang Nguema, com o primeiro ministro, Ricardo Mangue Obama Nfube, e com o seu homólogo, Pastor Micha Ondo Bilee, tendo ficado decidido que Malabo vai abrir uma embaixada em Lisboa, enquanto Portugal nomeará um encarregado de negócios na capital guineense.
"A aproximação da Guiné Equatorial à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é um bom pretexto também, a todos os níveis e em todos os sectores, para reforçarmos as nossas relações com este país, a que estamos ligados por laços históricos", defendeu.
Para dar continuidade ao trabalho desenvolvido em Malabo, o chefe da diplomacia da Guiné Equatorial Pastor Micha visitará Lisboa ainda este ano, adiantou Luís Amado à Lusa, que acrescentou ainda a criação de uma Comissão de Acompanhamento das relações económicas, que vai elaborar um plano de ação para a dinamização das trocas comerciais e dos investimentos entre os dois países.
O saldo da balança comercial é altamente favorável à Guiné Equatorial, que exporta petróleo no valor de 400 milhões a 500 milhões de dólares (cerca de 300 milhões a 380 milhões de euros), enquanto as vendas de Portugal situam-se entre os 10 e 20 milhões de dólares.
Instado a dizer se abordou a questão dos direitos humanos com as autoridades da Guiné Equatorial, Luís Amado resondeu que a agenda "centrou-se sobretudo numa visita de promoção dos nossos interesses económicos".
"Mas, naturalmente, sempre que há um diálogo político, questões que têm a ver com o funcionamento das nossas constituições estão presentes. Mas não foi esse o tema da nossa visita", sublinhou.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




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