Duzentos e cinquenta polícias fardados e outros tantos à paisana, todos fora do Estádio do Dragão, serão suficientes para controlar os mais que previsíveis tumultos antes, durante e depois do FC Porto-Benfica deste domingo?
Melhor: algum número de polícias, por mais absurdo que fosse, chegaria para que tudo decorresse sem incidentes e sem parecer que vivemos num Estado policial em situação de guerra?
Desconfio bem que não. A verve incendiária de quem comanda os destinos do futebol português - mais ou menos dissimulada consoante as conveniências conjunturais e a felicidade momentânea dos resultados desportivos – essa verve, dizia, fabricou um país de adeptos fanáticos mas de boa vontade, na sua maioria, deixando contudo perigosas franjas nas margens. Gente cuja organização grupal foi alimentada anos a fio, e ainda é, porque nunca se sabe quando dá jeito para a manutenção ou alteração de determinados status quo.
As claques continuam perigosas, de facto. E por mais organizada que esteja a cadeia de segurança nos acessos e no próprio estádio, é virtualmente impossível patrulhar uma cidade inteira, auto-estradas, estradas nacionais, aeroportos, bombas de gasolina, bares, cafés, todo um país.
Qualquer festejo como o que se prevê que inunde o país quando o Benfica for campeão traz problemas e desacatos. Está na natureza humana, talvez. Mas a possibilidade de o Benfica conquistar o título nacional no campo do maior adversário dos últimos 20 anos é perigosa. Devia ser só desporto e rivalidade, mas não é, sabemos que não é – é inimizade também. E isso potencia o risco.
Vale, ironicamente, que a disparatada decisão de fazer disputar toda a jornada do principal campeonato português domingo à noite – enquanto a II divisão se decide sábado ao final da tarde, voilà! – pode ajudar a serenar ânimos, quanto mais não seja porque segunda-feira é dia de trabalho (o Papa só chega na semana seguinte).




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