PSD ultrapassa PS nas sondagens

por Filipa Martins e Mariana de Araújo Barbosa, Publicado em 30 de Abril de 2010   
Em entrevista ao jornal espanhol "ABC", o líder da oposição falou do PEC, do TGV e do governo
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A nova liderança do PSD, que tomou posse há pouco mais de duas semanas, ultrapassou o PS nas intenções de voto, aproximando-se dos 40%. A sondagem da Marketest, hoje divulgada pelo "Diário Económico"/TSF, põe o partido do governo em segundo lugar com 35% das intenções de voto. Apesar de estar longe de uma maioria absoluta, este é o melhor resultado do PSD em sondagens desde que José Sócrates lidera o executivo e representa um aumento de nove pontos percentuais em relação a Março. A última vez que os sociais-democratas estiveram à frente dos socialistas foi poucas semanas depois das europeias de Junho, quando Ferreira Leite - então líder do partido - recolhia a intenção de voto de 35,8% contra 34,5% que garantiam votar no PS. De destacar é o crescente peso do bloco central (75%), com o CDS-PP a cair para 4,5% - passando a quinta força política -, a CDU com 7,2% e o BE com 8,3%. O partido de Paulo Portas é o mais penalizado com a subida do PSD, perdendo 5,5% em relação a Março.

Entrevista Quer tirar Portugal do poço e afirma-se líder de um partido que considera ser a alternativa a um executivo sem credibilidade. Depois do encontro com o primeiro-ministro - em que decidiram cooperar para enfrentar a crise -, Pedro Passos Coelho falou ao diário espanhol "ABC". Diz-se preocupado com a situação do país e apela ao governo para que tome medidas realmente eficazes, de maneira a dar a volta à grave crise actual.

"Portugal tem ainda espaço suficiente para evitar ser o país que se segue à Grécia", diz o líder laranja, lembrando, no entanto, que o país tem de pensar para além de um entendimento entre governos: "Precisamos de algo mais ambicioso do que trabalhar apenas para o pacto de estabilidade. É preciso empreender reformas estruturais que impeçam o país de aumentar a dívida externa, promovam a poupança e aumentem a competitividade das empresas portuguesas."

Passos Coelho falou dos investimentos previstos pelo governo de Sócrates, afirmando que a solução para o TGV Lisboa-Madrid seria adiar o projecto de modo a sanear as finanças nacionais. "O investimento não deve ser posto em causa porque foi assumido por vários governos. Mas Portugal deve apostar na economia interna, para permitir que as empresas sobrevivam a um momento muito difícil. Exige adiar o projecto pelo menos três anos", afirma.

Sobre a sua faceta mais liberal, o líder do PSD não tem dúvidas: "Devemos dar espaço à sociedade, dignificar o Estado nas suas funções mais nobres e responsabilizar os governos pelos seus actos, impedindo que os partidos se considerem donos do país." Quanto ao PEC, afirma que "o programa apresentado pelo governo em Bruxelas é credível, já que propõe um caminho para a redução do défice".


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