O PSD recusou hoje que a redução do défice se faça através de aumento de impostos ou do desvio de recursos para "grandes investimentos", numa declaração em que responsabilizou o Governo pela atual situação financeira do país.
Numa declaração política no Parlamento, o vice-presidente do grupo parlamentar do PSD Miguel Frasquilho acusou o Governo de ter feito uma "redução artificial do défice" entre 2005 e 2008, de ter falhado na reforma da Administração Central e de ter feito um "brutal aumento da carga fiscal", fragilizando a economia.
"Não foi por falta de aviso que o Governo socialista seguiu esse caminho", considerou, lamentando que os avisos do PSD não tivessem sido ouvidos.
Em seguida, Miguel Frasquilho defendeu que "é altura de baixar decididamente o défice" através de cortes na defesa, como os que o PSD propôs na semana passada, no valor de cerca de 1700 milhões de euros.
"Na altura, desgraçadamente, ouvimos o Governo dizer, pela boca do ministro da Economia, que se tratava de uma mão cheia de nada", lembrou.
Miguel Frasquilho acrescentou que, "felizmente para Portugal", no encontro de quarta feira com o presidente do PSD, Pedro Passos Coelho, "o primeiro ministro emendou a mão e manifestou abertura para trabalhar e aceitar aquelas medidas".
Comentando este encontro de quarta feira, o PCP e o BE acusaram socialistas e sociais democratas de se juntarem num "Bloco Central" que poupa as grandes fortunas e a banca e ataca "os pobres e os desempregados".
O deputado do PCP Honório Novo recordou que Passos Coelho, quando Manuela Ferreira Leite era presidente do PSD, dizia que "teria votado contra o Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC)".
"Palavras leva-as o vento. Bastou uma tempestade para o doutor Passos Coelho e o engenheiro José Sócrates caírem nos braços um do outro", observou.
José Gusmão, pelo BE, e Honório Novo, pelo PCP, defenderam, entre outras medidas, a tributação da banca em 25 por cento, assinalando que essa é a taxa aplicada às pequenas e médias empresas.
Por outro lado, juntamente com o deputado do PS João Galamba, criticaram o "ataque especulativo" das agências de 'rating' e questionaram a posição do PSD quanto a esta matéria.
"Os senhores deputados não perceberam nada da conjuntura que estamos a viver", reagiu Miguel Frasquilho, acrescentando que também condena a atuação das agências de 'rating', mas que isso é "totalmente irrelevante" para Portugal sair da situação em que está.
Quanto às medidas propostas pelo BE e PCP, o social democrata apenas respondeu que o PSD está "concentrado na redução da despesa pública em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB)".
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***




Rating: 0.0
Actividade em ionline