Uma das magias do futebol é conseguir, de quando em vez, contrariar as estatísticas. Vale a pena, contudo, olhar um minuto para as que se seguem. Oficiaizinhas da Silva, emanadas da UEFA:
Barcelona – 75% de posse de bola
Inter – 25% de posse de bola
Jogador com mais passes certos do Barcelona – Xavi, 108 (cento e oito)
Jogador com mais passes certos do Inter – Milito, 10 (dez)
O Inter está na final da Liga dos Campeões e é impossível consegui-lo sem mérito. Nem que o mérito seja o de impedir que a melhor equipa do mundo jogue ao seu nível. O mérito de conhecer as próprias limitações e a grandeza do adversário, juntar esforços, agradecer uma expulsão que legitimou o antijogo durante mais de uma hora (teria aparecido na mesma) e perceber que a única forma de bater o Barcelona era matando o futebol.
Sim, matando o futebol: o melhor passador da equipa fazer dez passes certos e a equipa só ter a bola durante um quarto do tempo de jogo faz lembrar o “futebol humano” que jogávamos na escola. Esse mesmo, o que jogávamos sem bola, apenas com movimentos de corpo que permitiam ir avançando no terreno, “fintar” e até marcar “golos”. O Inter fá-lo muito melhor (os golos fê-los na primeira mão da meia-final) - mas aqueles jogadores também ganham muito mais dinheiro que os miúdos do recreio.
O Barça caiu de pé, como os grandes. Quis a bola e jogou-a; resistiu a um falhanço monumental, daqueles que acabaria animicamente com qualquer equipa normal, aos 82 minutos; marcou aos 84; continuou a lançar ataques organizados; evitou o chuveirinho de bolas para a área e não foi à final pela unha de um negro – chutada a meio metro, a bola tocou na mão de Touré e o lance que daria o 2-0 foi interrompido pelo árbitro (a discussão sobre bolas na mão e mãos na bola fica para outra altura).
Venha o Inter-Bayern, dia 22. E o desejo de que nesse sábado haja duas equipas em campo a querer jogar.




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