S&P reafirma razões da descida do rating e diz que não quer "dar conselhos ao governo"

Publicado em 28 de Abril de 2010   
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A decisão de cortar o 'rating' de Portugal não aconteceu devido a desenvolvimentos políticos mas sim porque as perspetivas de crescimento da economia são mais baixas que o esperado, afirmou à Lusa Kai Stukenbrock, diretor da Standard & Poor's para Portugal.

"A revisão do 'rating' não foi tomada devido a qualquer ato particular de política ou de qualquer desenvolvimento que tenha ocorrido nos últimos dias. O que mudou foi a nossa avaliação do cenário de crescimento económico para Portugal", disse o responsável da agência de 'rating', em declarações à Agência Lusa.

"Prevemos agora que o crescimento real e nominal seja um pouco mais baixo no horizonte da projeção até 2013. Na nossa opinião, isto terá um impacto direto no défice orçamental, que esperamos que se mantenha acima dos 4 por cento até 2013", acrescentou.

O responsável pela análise de Portugal da agência que terça feira anunciou o corte de dois níveis do 'rating' da divida de longo prazo de Portugal de A+ para A-, e de curto prazo em um nível, de A-1 para A-2, disse ainda que não vêem o rácio de dívida pública a estabilizar até 2013.

"Como resultado do défice mais elevado e do mais baixo crescimento nominal (pensamos mesmo que o PIB nominal só atinja em 2012 os níveis de 2008) não vemos o rácio da dívida pública a estabilizar no horizonte da projeção, mas sim que continua a aumentar até atingir os 95 por cento do PIB em 2013", explicou.

O responsável explicou ainda que o que mudou nos riscos contemplados pelo agência foi o cenário económico, "que advém de uma recuperação mais ténue na zona euro e em Espanha, em particular", ou de uma correção interna mais pronunciada que o esperado.

A agência considerou ainda que um potencial choque de juros pode aumentar a pressão sobre os défices orçamentais nos próximos anos.

A isto, Kai Stuckenbrock acrescenta que as debilidades estruturais reduzem a capacidade de Portugal em enfrentar as condições adversas da economia, e assim, estes podem levar a uma deterioração na percentagem de défice e de dívida pública face ao Produto Interno Bruto.

O responsável sublinha que a Standard & Poor's vê "algum risco político na implementação [das medidas]", o que é uma parte das razões que contribuem para que a agência considere "que o défice não deve diminuir tanto como o Governo espera".

"No entanto, prevemos que o Governo será capaz de conseguir acordos pontuais da oposição para passar a legislação mais importante, como foi o caso do Orçamento e [da atualização] do Programa de Estabilidade e Crescimento", disse.

Quanto ao que o Governo tem de fazer para evitar um futuro corte, o responsável disse apenas que não é o papel da agência "dar conselhos ao Governo".

 

Este texto foi escrito ao abrigo do Novo Acordo Ortográfico



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