“Para nós é um sonho, para eles uma obsessão” – José Mourinho
“Temos grande respeito pelo Inter mas queremos ir à final” – Pep Guardiola
A pouco mais de 24 horas do jogo do ano, os dois treinadores mais influentes da actualidade lançavam assim (cortesia do site do “Público”) a segunda mão da meia-final da Liga dos Campeões que interessa ao mundo inteiro.
Mourinho, igual a si próprio e sentado sobre uma vantagem de 3-1, jogou na provocação. Falou na “obsessão antimadridista” do Barcelona. Procurou capitalizar o facto de a final ser no Santiago Bernabéu, casa do Real, para estigmatizar um adversário movido a regionalismo catalão durante décadas. Foi uma fase anterior a esta universalização que nem o Barcelona de Cruyff conseguira, mas estará sempre presente na matriz do “més que un club”.
Guardiola, igual a si próprio e sabendo que tem de vencer no mínimo por 2-0, relativizou palavras mais duras do seu central Piqué e abriu o jogo, como o seu Barcelona faz, há dois anos, de forma inigualável – ou, vá lá, daquela forma de que só a selecção espanhola se aproxima.
Mourinho, sagaz como poucos, atirou a responsabilidade para cima do Barcelona: “Têm os meios para dar a volta à situação. A melhor equipa do mundo não precisa de montar este drama para dar a volta a um 3-1.”
Guardiola, purista do futebol-espectáculo, não enjeitou essa responsabilidade: “A essência do Barça é jogar muito bem futebol. Trabalhar muito, recuperar a bola, abrir espaços, jogar o mais aberto possível. Não sei se seremos capazes de dar a volta ao resultado, mas sei que nos esforçaremos ao máximo, frente a uma grande equipa.”
O “drama” de que fala Mourinho – arbitragem de Olegário Benquerença na primeira mão à parte – foi um fortíssimo apelo aos adeptos catalães para ajudarem na “remontada” com que o Barcelona sonha. Sim, porque quem expressa arte como Messi e companhia o fazem não tem obsessões – corre justamente atrás de sonhos.
Montar uma teia que impeça o Barca de jogar, como tão eficazmente fez Mourinho na primeira mão, isso sim é obsessivo. Será a única forma de o Inter chegar à final de Madrid, e venha de lá o primeiro homem ou mulher capaz de atirar pedras a quem joga com as armas que tem, ainda por cima bem e capitalizando talentos próprios, que também abundam em Milão.
Como expressaram, na transparência dos seus discursos, os dois treinadores, estarão em confronto esta quarta-feira, no relvado de Camp Nou, duas filosofias futebolísticas. Cabe a cada um escolher a que mais aprecia, abrir a cerveja e sentar-se em frente à TV para duas horas que podem tornar-se inesquecíveis. Façam as vossas apostas!




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