Opinião
A hora da verdade
por Ricardo Reis, Publicado em 28 de Abril de 2010
Forma muitos os alertas nos últimos meses avisando que se a Grécia caísse, o próximo alvo seria Portugal. Esta semana, a Grécia aterrou no tapete e o árbitro está a contar até dez para o "knockout". A Grécia admitiu que não vai conseguir pagar as suas dívidas, pediu ajuda à UE e ao FMI, e viu os alemães hesitarem em dar-lhe uma mão de ajuda Como esperado os mercados viraram-se para Portugal. De acordo com o preço de um seguro sobre a dívida portuguesa, a probabilidade de Portugal não pagar já está acima da do Iraque. Ontem, houve uma corrida a vender activos portugueses, levando à queda no preço das acções e das obrigações de tesouro portuguesas. A manter-se este clima, nem o Estado nem os particulares vão conseguir financiar-se no estrangeiro a não ser a taxas de juro proibitivas. Portugal está sob ataque e o 'crash' está à esquina.
O que fazer agora? Primeiro, continuar a insistir que Portugal não é a Grécia, apontando para as nossas contas públicas, que são muito mais saudáveis do que as gregas. Segundo, admitir a fonte do problema, o baixo crescimento económico da última década, até porque o ataque desta semana se justifica em parte pelas previsões pessimistas para o crescimento que saíram na semana passada. Terceiro, apontar medidas corajosas para estimular a economia, como a liberalização dos mercados, a reforma na justiça, e os incentivos à poupança e às exportações. Quarto, estar preparado para dar um sinal de claro corte nas despesas públicas, por exemplo adoptando muitas das medidas propostas pelo PSD a semana passada.
A não esquecer que, há 5 meses, era sobre a Irlanda que recaíam os receios dos investidores, mas com uma reforma fiscal corajosa, os irlandeses conseguiram que as atenções se desviassem para a Grécia, Portugal e a Espanha.
Economista
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Artigo: A hora da verdade
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