Menos 35% de legumes no sul da Europa e em África milhões de pessoas vão viver sem água já em 2020. Foram as previsões que Rajendra K. Pachauri, presidente do IPCC e prémio Nobel da Paz apresentou ontem em Lisboa. Apesar dos erros que constavam no relatório divulgado pelo IPCC em 2007 que previa o degelo do Glaciar dos Himalaias até 2035, o assunto não foi esquecido e Pachauri voltou avisar: “A redução do volume da massa dos glaciares é um dos maiores problemas provocados pelo aquecimento global e duplicou nos últimos anos, relativamente aos 100 anos anteriores. Estamos a falar dos maiores reservatórios de água do mundo”, alerta. O cenário para Portugal não é mais animador: menos rendimentos agrícolas, mais secas e incêndios. As consequências? “Menos turismo em época alta”, avisou o prémio Nobel da paz. A Ministra do Ambiente também presente na conferência sobre alterações climáticas confessou ao i que não estamos perante o fim do mundo, apesar de estar atenta “às previsões do IPCC, uma instituição totalmente credível”. “Não é uma situação de catástrofe, mas temos obrigação de ter uma abordagem preventiva”, esclarece.
Pachauri focou novamente as análises do relatório de 2007 e explicou que o investimento em energias renováveis é “uma resposta de adaptação ao problema do aquecimento global”. O investimento em energias renováveis em detrimento das energias fósseis “vai garantir mais postos de emprego” e, portanto, “este será um desenvolvimento sustentável”. A ministra sublinhou que este também é um ponto de conveniência para Portugal: “A prevenção envolve mitigação e adaptação. A adaptação envolve o desenvolvimentos das energias renováveis”. E acrescentou: “O que a nós até nos dá jeito porque vai ajudar a reduzir a divida externa”.
Xangai, Dakar e Bangladesh foram apontadas como as principais cidades a correr o risco de cheias costeiras resultado da “intrusão das águas do mar”. Sobre o aquecimento global Pachauri deixa o aviso: “A comunicação social dá tanta importância a 5% dos cépticos como a 95% dos crédulos. Caminhamos para um aumento global de 2 graus célsius”. O presidente do IPCC mostrou-se indignado por viver num mundo com gastos publicitários superiores a seis mil milhões de euros e apenas 0,7% do PIB em questões ambientais. O IPCC prevê que, para estabilizar as emissões de dióxido de carbono até 2050, os países desenvolvidos perderão um ano no "aumento do nível de prosperidade ambicionado” e menos de 3% do PIB.




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