A UGT rejeitou hoje "totalmente" a proposta da CIP - Confederação da Indústria Portuguesa de reduzir o subsídio de desemprego à medida que se prolonga no tempo, exceto no que respeita a medidas de controlo da atribuição deste subsídio.
"Esta proposta não tem sentido nenhum, exceto no controlo de situações de atribuição de subsídios que estão em execução, pois aí estamos de acordo em aumentar o controlo", afirmou o presidente da UGT, João de Deus, após uma reunião do conselho geral daquela central sindical.
A proposta da CIP, avançada hoje pelo Diário Económico, e que deve ser discutida quarta feira em sede de concertação social, prevê ainda acabar com o limite mínimo do subsídio de desemprego, atualmente de 419,22 euros, para impossibilitar que se ganhe mais no desemprego do que a trabalhar.
Quanto à reunião do conselho geral da UGT, hoje de manhã, João de Deus destacou: "Constatámos o comportamento de muitos gestores e empresários que, apesar dos lucros desmesurados, negam aumentos salariais justos, têm comportamentos inqualificáveis à mesa das negociações e tomam medidas imorais de aumentos de salários e prémios para si próprios".
A UGT, nesta reunião, denunciou o comportamento de gestores e empresários que "recusam" aumentos salariais ou apresentam valores muito reduzidos, "apesar dos elevados lucros registados".
Quando questionado sobre as empresas em causa, João de Deus afirmou: "Há vários casos que têm vindo na imprensa mas destaco, por exemplo, o da EDP".
O Conselho Geral da UGT repudiou hoje os "aumentos imorais" de alguns gestores de empresas, "que contribuem claramente" para o agravamento das desigualdades e "se tornam ainda mais chocantes" num momento em que tantos portugueses sofrem a pobreza, a exclusão e o desemprego.
Quanto ao Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), o presidente da UGT reconheceu que é "inevitável", mas defendeu que "mais" medidas, como a tributação das mais valias, deveriam ser incluídas, nomeadamente para "apertar o cerco" a capitais em paraísos fiscais.
Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.




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