Não foram os 14 jogadores que nesta segunda-feira ainda se bateram por um balão de oxigénio em Guimarães; não foram os dois treinadores que andaram pelo Belenenses durante a época, para provar pela enésima vez que as chicotadas psicológicas resultam quando o rei faz anos, e mesmo assim nem em todos os aniversários; não foram, obviamente, os adeptos, que mesmo com o calendário a querer impedi-los de ir ao futebol continuam, alguns, bastante fiéis às bancadas do Restelo; foram, evidentemente, os dirigentes que cavaram a sepultura onde mais um campeão nacional se afunda. Os actuais e os do passado recente.
Mesmo que quiséssemos dissecar pormenores, tal seria impossível. Num clube onde ninguém se entende e as assembleias-gerais acabam em demissões nem os próprios dirigentes se entendem, quanto mais os sócios e quem observa de fora. Há apenas versões, à conveniência de cada facção.
Certo é que o Belenenses termina uma época que começou torta no sítio mais previsível: a II Divisão. De onde talvez, dizia o jogador Miguelito após a derrota final de Guimarães, a secretaria não o devesse ter tirado no final da temporada passada.
A equipa ia sem rumo há muito tempo, resta saber se o retomará na passagem sabática pela Liga de Honra. Ia tão sem rumo que dois jogadores, lesionados, foram comer picanha a um restaurante da Charneca da Caparica à hora do jogo que decidia o futuro. Claro que Devic e Beto são cidadãos como os outros e podem até ter combinado acompanhar a partida num sítio que conhecem bem. Por azar, o plantel do Benfica apareceu lá e um fotógrafo do “Record” também.
A descontracção de Beto e Devic, numa hora em que o normal seria terem acompanhado a equipa ou no mínimo escolherem o recato do lar, não é naturalmente causa de nada, antes consequência de tudo. Ainda assim é difícil, para um adepto que à mesma hora chorasse, perdoar a leviandade com que se assiste, até de dentro do plantel, à forma triste como o azul se desbota.




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