Futebol com Todos por Alexandre Pereira

Há desporto além do futebol e vida para lá do desporto. Cabe quase tudo aqui.
iBlogues

Mundial? Claro que Quim!

por Alexandre Pereira, Publicado em 26 de Abril de 2010   
No vazio do pós-Baía é difícil escolher um guarda-redes para Portugal. O pré-campeão nacional é a aposta mais válida. Tudo isto a propósito dos frangos que Damas não sofreu em 1986.
Opções
a- / a+
No sábado de manhã, ajudando a alimentar a curiosidade do mais novo cá de casa sobre jogos de futebol do passado, recordei a participação portuguesa no Mundial-86, México. No DVD não havia Saltillos, reivindicações, greves ou prostitutas de hotel. Só bola a rolar.
Quando rolou ao terceiro jogo, rolou três vezes para dentro da baliza portuguesa. E bem – Marrocos podia ter até ganho por mais. As filmagens serviram, contudo, para banir do meu imaginário uma daquelas ideias feitas que se transportam da infância para a idade adulta sem se saber muito bem porquê. Quer dizer, aqui sabe-se porquê: o grande Bento tinha partido a perna num treino, o grande Damas foi à baliza, Portugal perdeu e tinha de haver um bode expiatório. Foi Damas o escolhido. Injustamente. Desafio qualquer um a rever os golos e dizer em qual deles o guarda-redes poderia ter feito mais. Eventualmente no primeiro. Mas só eventualmente.
Menos eventual é a convicção de que depois desses dois grandes senhores, que a morte entretanto levou bem cedo, houve um herdeiro à altura – Vítor Baía. E de que quando uma entidade ainda por definir (Scolari tem costas largas…) afastou Baía da baliza portuguesa esta nunca mais foi a mesma.
Dá-se voltas pela Liga portuguesa, espreita-se lá fora, onde haja guarda-redes portugueses a jogar, e não se descobre um que se aproxime dos calcanhares de Vítor Baía, quanto mais de Bento e Damas.
Com Ricardo fora de jogo (pelo menos criou uma certa aura de pé quente na selecção, embora o apagão deva ter as suas razões de ser), ficaram a sobrar Eduardo, Rui Patrício e Quim. Hilário joga duas vezes por ano há muitos anos, Beto poderá lá chegar mas tem de se livrar da sombra de Helton. Daniel Fernandes tão depressa apareceu como desapareceu.
Nenhum deles, seja como for, deixa os portugueses totalmente descansados. Eduardo, abnegado e muito bom entre os postes, peca ainda mais que Ricardo quando se trata de desfazer cruzamentos. Rui Patrício tão depressa promete como compromete.
Resta Quim: é ele, neste momento, a melhor alternativa para a baliza portuguesa. Sóbrio, experiente e ganhador. Vai ao Mundial como campeão mas, curiosamente, ameaçado pela contratação, por parte do Benfica, de Eduardo, que sofreu mais golos que ele no campeonato.
Jorge Jesus disse há dias que “andará muita gente distraída” se Carlos Martins, Coentrão e Amorim não forem ao Mundial. Percebe-se. Preferia aplaudir, isso sim, que Jesus dissesse alto e bom som o quanto Quim merece a titularidade na selecção. Mas ele quer Eduardo na Luz….


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close