Parpública terá de recorrer a financiamentos externos para garantir o encaixe de 300 milhões ao Estado em 2010
O grupo estatal
Parpública está a recorrer a financiamentos externos para pagar, pelo menos em parte, o património imobiliário que tem vindo a
comprar ao Estado. A Parpública, através da
Sagestamo, tem sido a principal compradora dos imóveis que os vários serviços públicos tem colocado à venda nos últimos anos, e em que estão incluídos hospitais, quartéis e repartições de finanças, entre outros. Só no ano passado, esta holding foi responsável pela esmagadora maioria - mais de 90% - das receitas de 300 milhões de euros que o
Estado encaixou na alienação de
património. E o cenário deverá repetir-se este ano.
É a própria
Parpública que o assume, no relatórios e contas de 2009. "No ano de 2010 prevêem-se também novas aquisições de imóveis ao Estado e a outros entes públicos num montante superior a 300 milhões de euros. Para o efeito, a Sagestamo recorrerá, tal como já fez em 2009, a financiamentos no mercado".
A dívida da Parpública ascendia a 3,7 mil milhões de euros em 2009, mas a empresa não adianta números para o endividamento associado ao imobiliário. Sublinha apenas que o sector "continuará a exigir mais recursos ao grupo, face à situação do mercado, ao programa de alienação do património do Estado e ao arranque do projecto
Arco Ribeirinho Sul (requalificação urbana de terrenos industriais na margem Sul), entre outros".
Embora refira que parte do financiamento será assegurado com capital alheio", a
holding estatal reconhece que será também necessário reforçar os fundos próprios das empresas do segmento "imobiliário, atendendo aos riscos envolvidos". Só em suprimentos, (empréstimos do accionista), o negócio imobiliário recebeu 423 milhões de euros. Um dos principais riscos que ameaça o negócio é a crise económica que se abateu sobre o mercado português de imobiliário e que a empresa descreve como a pior de sempre. Em 2009, as vendas caíram 58% para pouco mais de 150 milhões de euros. Esta evolução é explicada pela queda no número de contratos promessa, mas também pelo adiamento de escrituras e pela anulação de negócios, muitos deles por falta de condições do cliente, razões que levaram a empresa de promoção imobiliária Sagestamo a registar prejuízos de 5,6 milhões de euros. Apesar deste cenário, a Parpública qualifica de moderada a sua exposição ao imobiliário. De positivo, destaca-se a subida de 42% nos contratos de arrendamento. O património imobiliário do grupo estava avaliada em 1,4 mil milhões de euros no final do ano.
Investidores internacionais são opção A Parpública não estima um grande progresso para 2010. E realça que se a conjuntura não permitir "dinamizar significativamente a colocação de imóveis em fundos imobiliários e encontrar investidores para as unidades de participação, ou ultrapassar a crise que afecta o mercado de promoção", será feita uma aposta em parcerias com privados. O principal objectivo é chegar aos investidores internacionais que ainda não estão no mercado nacional e propor a venda de imóveis já arrendados ou para promoção. Não foi possível obter um comentário da Parpública até ao fecho da edição.
Actividade em ionline