O antigo Presidente da República, Mário Soares, considerou hoje “um abuso e uma maneira de maltratar a política quando se diz que os políticos são uns ladrões”.
“Tenho muita honra de ser político. Quando dizem que os políticos são uns ladrões e que os políticos são uns malandros, eu devo dizer que há grandes exceções. Eu sou uma exceção, mas eu acho que a maior parte dos políticos, de todos os partidos, não são ladrões. Há alguns que o são, como em todas as profissões, mas a maior parte, felizmente para nós, não é”, sublinhou o antigo chefe do Estado.
Mário Soares discursava hoje em Paços de Ferreira, na homenagem que militantes locais lhe organizaram a propósito do 25 de Abril.
No final da sessão, a pedido dos jornalistas, o antigo Presidente explicou o que dissera no seu discurso, frisando que “um político ladrão é o pior que pode acontecer”.
“É uma pessoa viver à custa do Estado e chupar o Estado sem servir os seus concidadãos”, acrescentou.
Durante a homenagem, Mário Soares sublinhou que nos 32 anos em que foi opositor ao regime de Salazar e Caetano nunca ganhou “um único tostão com a política, antes pelo contrário”.
“Sempre sofri por causa da política e sempre foram as profissões que fui fazendo que pagavam o meu sustento”, observou.
Falando perante algumas dezenas de pessoas que enchiam o auditório da freguesia de Ferreira, reafirmou que “o que se passou depois do 25 de Abril transformou completamente Portugal”.
Mário Soares afirmou, por outro lado, que as dificuldades por que passa o país “não são culpa dos políticos portugueses”, defendendo que “a crise que hoje se está a viver é séria, mas foi importada”.
Fazendo uma breve retrospetiva do seu percurso de vida, disse sempre ter sido uma pessoa “que gostou das outras pessoas”, atribuindo a essa característica a razão da sua popularidade.
“Acho que o que conta no mundo não é o dinheiro nem a vaidade. É as pessoas poderem contactar com os outros e conseguirem a confiança das pessoas. Nunca fiz distinção entre as pessoas. Todas me interessam, todas me agradam e talvez tenha sido isso que me deu alguma da popularidade que tenho”, afirmou.
Antes, em nome da organização, tinha discursado a deputada do PS Glória Araújo, que considerou Mário Soares “a figura maior da democracia” portuguesa.
A deputada terminou a sua intervenção pedindo aos presentes que, de pé, entoassem o slogan de uma das campanhas presidenciais - “Soares é fixe”, o que se ouviu por alguns instantes, gerando um sorriso no antigo líder do PS.




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