Crise

Belmiro: "Não há qualquer actividade que esteja em retoma"

Publicado em 23 de Maio de 2009   
Presidente da Sonae contraria Teixeira dos Santos. E diz que os anos de eleições são "perigosos"
Opções
a- / a+
O empresário critica o governo por prometer o que não pode cumprir e contrariou "as afirmações politicamente correctas" do ministro das Finanças. O chairman da Sonae garante não sentir a "retoma" de que fala Teixeira dos Santos.

Considera que a economia portuguesa já dá sinais de retoma?

Neste momento, não há qualquer actividade que eu conheça que se possa dizer que está em retoma. Algumas estão a aguentar a situação e, muitas vezes, à custa de outras, isto é, há uma deslocação de quota de mercado das empresas que são pouco eficientes para as que são mais eficientes. Já se notam alguns sinais nos países que têm uma relação com os trabalhadores muito mais agressiva e de pró- -desenvolvimento, onde a economia começa a trabalhar mais depressa. Não é o caso de Portugal e dos países em que as pessoas têm um discurso muito concentrado nos direitos adquiridos. Quem se agarra muito aos direitos adquiridos está agarrado a um caco pequenino no meio do mar e vai ao fundo com o caco.

Não partilha, portanto, da opinião de Teixeira dos Santos de que Portugal está num ponto de viragem?

Tenho estima pelo ministro das Finanças, mas ele diz as coisas que são politicamente correctas. É óbvio que há muitas coisas que ele diz e não assina nenhum cheque para as concretizar. O ministro não pode lamuriar-se. Os políticos são as últimas pessoas a dizer que há crise, portanto têm de animar um bocadinho a actividade. Mas não se pode cair na ilusão de prometer coisas que não se podem cumprir. Têm de ser cautelosos.

O período eleitoral que se avizinha pode prejudicar a recuperação da crise?

Os períodos eleitorais são, sem dúvida, necessários, mas têm de ser mais rápidos, porque são sempre perigosos. Promete-se sempre muito e já se sabe que não vai ser cumprido. Se se pudessem resolver todas as eleições [europeias, autárquicas e legislativas] num dia, não era pior, porque senão vão prolongar-se excessos de afirmações públicas e perturbar a vida de muitas pessoas. João Queiroz


Qual a sua reacção:
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.

Notícia relacionada

Close