Livros electrónicos
Samsung antecipa-se à Apple com primeiro leitor de e-Books
por Ana Rita Guerra, Publicado em 24 de Abril de 2010
Leitor E60 chega às lojas portuguesas em Junho, a 359 euros. Samsung espera vender 10 mil unidades até ao final de 2010
A febre dos leitores de livros electrónicos está mais alta que nunca e a Samsung é a primeira das grandes marcas mundiais a atacar o mercado português. Antes que a Apple o faça, com o seu iPad, ou que a Sony decida investir em Portugal com os seus Reader, a Samsung vai estrear o primeiro modelo europeu de leitores de e-Book. Chama-se eReader E60, chega às lojas em Junho e vai custar 359 euros. Foi apresentado ontem, Dia Mundial do Livro, durante a inauguração da nova livraria Babel S. Sebastião, em Lisboa, a bandeira do grupo editorial criado pelo ex-administrador do BCP, Paulo Teixeira Pinto.
"A Samsung pretende vender 10 mil eReaders até ao final do ano", revelou ao i Paulo Costa, director de vendas e marketing da filial portuguesa da marca. Sem medo da concorrência, da crise ou do preço elevado. "O iPad é um conceito diferente", defende, explicando que o E60 é um "leitor de conteúdos electrónicos", não um portátil tablet como a novidade da Apple.
A questão é saber se os portugueses estarão dispostos a pagar pelo E60 mais ou menos o mesmo que dariam por um Kindle, o claro líder de mercado, ou um pouco menos que pelo iPad, que tem um mundo de outras funcionalidades. É que os livros electrónicos não pegaram em Portugal (tal como os audiolivros fracassaram), mesmo havendo alguma escolha no mercado. Só a Fnac oferece quatro modelos diferentes, entre o WISEreader da Hanvon e o Digital Reader da iRex, entre os 249 e os 549 euros.
A falta de investimento das editoras explica que as marcas também não tenham apostado em Portugal. A Samsung pretende mudar isso com a parceria com a Babel, que inclui acesso à livraria virtual do grupo editorial. Para já só estão disponíveis 80 títulos, entre os quais "Os Lusíadas" de Camões. Em breve, prometem, serão mais de 300. A Babel também celebrou uma parceria de conteúdos com o grupo Ongoing, por isso são de esperar outras novidades, além do acesso às notícias dos meios do grupo, como o "Diário Económico".
À primeira vista, o E60 parece um brinquedo. É tão pequeno e tão leve que dá a ideia de ser um daqueles PDA anunciados nas revistas das companhias aéreas e que se compram porque não há mais nada a fazer em dez horas de voo. Mas não. Embora não seja claramente um concorrente de peso para o Kindle e para o iPad, é bastante interessante.
Este primeiro modelo tem conectividade Wi-Fi (em 2010 vai haver mais cinco modelos, alguns com 3G), dois gigas de memória expansível, ecrã a preto e branco e apenas 315 gramas de peso. A mais--valia é a escrita - o ecrã é táctil e traz uma caneta electrónica para tirar notas, sublinhar ou adicionar lembretes.
Além disso, ao suportar o formato ePub (tal como o iPad), a Samsung evita os constrangimentos a que estão sujeitos os utilizadores de Kindle - só podem comprar livros na Amazon. Outro ponto a favor é o ecrã retroiluminado, que permite ler mesmo com o sol a incidir sobre o painel.
A associação à Babel também é uma estratégia a ter em conta. A livraria, localizada ao pé do El Corte Inglés, tem um espaço "cubo" com cinco ecrãs tácteis, onde os clientes podem pesquisar títulos e interagir com a tecnologia. Há também um ecrã mais pequeno, à altura dos joelhos, para que as crianças possam ter a mesma experiência. Mesmo ao lado, cadeiras de plástico transparente permitem sentar num bar gourmet coordenado pelo chefe Vítor Sobral. "Talvez seja a primeira no mundo com estas características", arriscou ontem Paulo Teixeira Pinto, durante a inauguração.
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