Moda

Eu e os meus Sanjo. O regresso vintage dos ténis da geração de 80

Publicado em 24 de Abril de 2010   
As aventuras de Alvim, Pacman e companhia com os All Star portugueses. Regressam fiéis aos originais, mas Made in China
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Eram feitas de lona e havia apenas duas cores disponíveis: branco e preto. De lado, ao nível do tornozelo, tinham uma protecção de borracha, muitas vezes arrancada para servir de remendo. E foram as sapatilhas mais famosas da década de 80. As Sanjo começaram a ser produzidas há mais de 50 anos na secção de borracha da Empresa Industrial de Chapelaria de São João da Madeira. É ao nome da terra - pronunciado com sotaque do Norte - que se deve o nome da marca. Tinham todas as condições para ser um sucesso: um design inovador e concorrência zero - em Portugal, as sapatilhas All Star, da Converse, só viraram moda mais tarde. O modelo mais famoso era o K100. Durante alguns anos, a empresa chegou a trabalhar 24 horas por dia para dar resposta às encomendas. Nesta altura, a Sanjo vestia os clientes dos pés à cabeça: além do calçado, a fábrica produzia também chapéus. Com a chegada da concorrência estrangeira, perdeu fôlego. Deixou de as produzir e vendeu a patente. No ano passado deram sinal de vida. Agora regressam em força, mais perfeitas e detalhadas, a aproveitar a onda revivalista. Diferenças de relevo, só uma: a marca nacional passou a ser Made in China.

Pacman

33 anos
Músico


“A minha ‘gera’ era toda fã dos Sanjo. Baratos e com muita pinta, eram a escolha da malta que não tinha dinheiro para comprar Le Coq Sportif. E lembro-me que quando se rasgavam tirávamos a borracha lateral para remendar a biqueira. Para nós era uma cena de culto, muito por serem de uma marca portuguesa. Quanto mais velhas mais cool, quase como ter umas calças de ganga rotas no joelho. A malta do metal adorava.”

João Vieira Pinto

38 anos
Ex-futebolista

“Lembro-me de ir a uma loja com a minha mãe comprar umas. Tive vários pares. Era a minha mãe que decidia o que eu calçava, mas nesse tempo as Sanjo eram as minhas favoritas. Gostava das brancas e na escola todos os miúdos tinham pelo menos um par. Ou melhor, os que podiam comprar. Apesar de estarem na moda e serem baratas, não eram acessíveis a qualquer família. Não sabia que a marca ia lançar novos modelos, mas já imaginava. E não me admira nada que sejam feitas na China. É tudo feito lá.”

Inês Meneses

38 anos
Radialista
                       
“Quando comecei a usar, as Sanjo já não eram muito cool. Talvez por ser muito novinha e viver na aldeia, no Mindelo, na altura não senti que houvesse esse culto. Mas lembro-me de ter ido ao Porto com o meu irmão para comprar as sapatilhas. Claro que as usava contrariada, até porque o meu irmão tinha umas iguais às minhas. Desses tempos, houve outro artigo que ainda hoje me arrependo de ter deitado fora: uma camisola do Sandokan. Hoje seria perfeita para a minha filha.”

David Fonseca

36 anos
Músico


“Claro que tive umas Sanjo. Na verdade não eram minhas, eram do meu pai. Lembro-me de as ter calçado uma primeira vez e nunca mais as ter devolvido. Eram aquilo que hoje equivale aos ténis All Star. Na altura, eram as sapatilhas mais cool. E de culto.”



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