O Sporting de Jorge Mendes não começou bem o ataque à nova temporada. A contratação de Paulo Sérgio – méritos e competências à parte – teve o condão de não conseguir entusiasmar sequer a torre amarela que sustenta o Estádio José Alvalade do lado de Telheiras.
A nova estrutura ignorou que a fundamental recuperação psicológica dos adeptos depois de uma das mais desastradas temporadas de sempre exigia um nome forte e firmado para o comando da equipa. No limite, para apostar num jovem e motivar ao mesmo tempo, teria de socorrer-se de um ex-jogador que se identifique com a camisola.
Nada disto foi feito, e portanto resta aos apoiantes do Sporting acreditar que Paulo Sérgio é um talento por descobrir, que tem mãos para uma máquina gigante cheia de areia na engrenagem e que consegue (era bom não esquecer o pormenor) pôr a equipa a jogar bom futebol, essa força que estranhamente é mesmo aquilo que leva os adeptos ao estádio, sobretudo quando conjugada com vitórias.
Não havendo qualquer razão apriorística para duvidar das capacidades do ainda treinador do Guimarães (vamos esquecer que ainda luta pelo mesmo lugar que o Sporting no actual campeonato…), é preciso dizer que tudo está em aberto e o futuro passa, agora, pelos jogadores que chegarem. Paulo Sérgio terá de ser o primeiro a compreender que a componente técnico-táctica não esgota as condições de contratação: tem de chegar gente que empolgue. Quaresma, por exemplo, encaixa como uma luva nesse pressuposto. Tiago também ajuda.
Jorge Mendes, Bettencourt e Costinha só terão decidido dar de barato a capacidade de mobilização do treinador por se sentirem ancorados na influência de mercado do agente de Ronaldo. Os sportinguistas não esperam menos de dois/três nomes que possam segredar aos filhos e que façam as crianças quererem comprar bilhetes e camisolas.
Enquanto esperam, os sportinguistas resignam-se em votos de confiança no trabalho de Paulo Sérgio - embora saibam que ao segundo empate e à primeira derrota serão os primeiros a exigir a sua cabeça. Cabe à estrutura, nesse caso, ser coerente com os princípios que devem estar presentes quando se assina um contrato de dois anos.
Sem jogadores e sem paciência, vem aí mais do mesmo.




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