Cerca de uma centena de agentes da PSP concentrou-se hoje em Lisboa para reivindicar o direito à greve, denunciar a falta de efetivos na Polícia de Segurança Pública e apelar à unificação com a GNR.
Organizada pelo Sindicato dos Profissionais da Polícia (SPP), a concentração na Praça do Comércio pretendeu assinalar a carga policial de há 21 anos sobre elementos da PSP, conhecida por "secos e molhados".
"A PSP carece mais de efetivos do que a GNR. O que temos vindo a defender é a unificação das polícias. Não faz sentido um país que diz que está em crise desperdiçar tantos efetivos e quartéis", disse António Ramos, presidente do SPP, em declarações à agência Lusa.
Este responsável estima que "para que a PSP possa, atualmente, fazer alguma prevenção terá de ter mais 3000 a 4000 homens".
"Ainda ontem o ministro [da Administração Interna] dizia que a GNR tem à sua responsabilidade 53 por cento da população portuguesa. Não sabemos onde foi descobrir esses números, pois a GNR tem 80 por cento do território nacional, mas a PSP tem 80 por cento da população à sua responsabilidade", realçou António Ramos.
O presidente do SPP realçou ainda o "esforço feito" para unir os vários sindicatos da polícia para que seja criada uma plataforma, que não tem sido possível concretizar.
"Na PSP há 9 sindicatos, os problemas são idênticos, mas não conseguimos uma união", reconheceu.
A avaliação de desempenho na PSP foi igualmente alvo das críticas do SPP, por "ter trazido muitas injustiças, pois basta um simples louvor para que um colega mais novo passe à frente de 200 colegas mais antigos", criticou António Ramos.
"Ainda ninguém conseguiu explicar quais os objetivos para avaliar um agente operacional da via pública - se é por número de multas ou detenções", acrescentou.
Já António Gouveia, presidente do Sindicato Nacional da Carreira de Chefes, apelou aos partidos para que, "numa possível revisão da Constituição portuguesa, criem a possibilidade de os polícias terem direito à greve".
Os sindicatos que há na polícia, continuou, "são sindicatos de fachada, porque não têm qualquer poder reivindicativo, pois a arma de qualquer sindicato é a greve".
António Gouveia apontou o dedo ao estatuto que entrou em vigor em janeiro, que "permite que chefes mais novos comandem chefes mais velhos, chefes que acabam de sair da Escola Prática de Polícia tenham o mesmo estatuto de chefes com 15, 20 anos de serviço, o que é inaceitável".




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