O que um aluno pode ou não fazer está num documento chamado regulamento interno. Quase sempre pendurado numa vitrina junto à sala dos professores. Está por encontrar o aluno, de qualquer idade, de qualquer escola, de qualquer zona do país, que alguma vez tenha lido ou saiba da existência do
regulamento interno. Há tantos
alunos que leram o regulamento interno como deputados que leram a Constituição. E bem pode o
professor citar o artigo 5: "O aluno está proibido de arremessar objectos susceptíveis de ofender a integridade física do corpo docente."
Exigimos às escolas que eduquem em vez de ensinarem. Mas tiramos às escolas a "régua" e fazemos dos professores uma criatura tão odiada como o padrasto e tão porreirinho como o tio distante. Exigimos às escolas que eduquem mas sem autoridade. Nem sequer moral.
Este extraordinário modelo pedagógico tem dado resultados. Estamos a criar uma geração de pequenos estafermos que um dia vão crescer na ideia de que os actos não têm consequências. Temos professores que se queixam do bullying dos seus alunos e a
FENPROF que exige subsídios de risco à semelhança dos guardas prisionais. Bom de ver que um dia teremos que discutir a criação de uma Comissão de Protecção dos professores em risco.
Imaginem um país onde os polícias só podem advertir os infractores. Imaginaram? Esse foi o efeito que a inibição do recurso à palmadinha teve nas
escolas. Mas bom, bom, bom seria aplicar a medida sem qualquer tipo de descriminação etária. Todos fazem asneira, todos levam. O que seria engraçado. No parlamento por exemplo. Jaime Gama já dá puxões de orelhas. Dêem-lhe uma régua: o país estaria certamente melhor.
Consultor
Actividade em ionline