Visto de fora
As qualidades de um bom líder e da liderança de grupo
por Francesco Alberoni, Publicado em 20 de Abril de 2010
Para ser dirigente é necessário reunir uma boa dose de visão do mundo e grandes qualidades humanas. À falta de alguém com essas capacidades, a solução é uma direcção colegial
O que deve fazer um dirigente? Conhecer o ambiente em que actua a respectiva empresa, compreender o que está a ser feito, detectar os erros, saber qual o objectivo e traçar o rumo para lá chegar.
Numa empresa do sector do grande consumo deve ser capaz de perceber o que pode interessar aos consumidores; na política, o que desejam os eleitores e como falar com eles de maneira convincente.
Para isso não bastam pesquisas demoscópicas ou de mercado, cálculos ou argumentos dos homens do marketing, fórmulas dos responsáveis de vendas, ideias brilhantes dos publicitários. É preciso ter uma determinada visão do mundo, uma compreensão profunda da alma humana e ser capaz de captar o espírito dos tempos e a direcção da mudança.
Se o dirigente não possuir estas qualidades, nem todos os quadros, peritos e consultores, por maior que seja a sua preparação e capacidade, conseguem substituí-lo.
Cada um deles tem apenas uma visão parcial, razão pela qual, na melhor das hipóteses, faz com que o respectivo sector funcione bem; na pior, bajula o chefe para fazer carreira e afastar os outros. Um mau dirigente não sabe escolher os colaboradores nem os chefes. Confia na opinião dos amigos que, por serem como ele, lhe indicam pessoas inadequadas.
Também pode entusiasmar- -se com um qualquer guru que, com a sua arrogância, apenas lhe causa embaraços. Por não saber tomar decisões, está sempre a convocar reuniões de comissões onde os especialistas discutem entre si sem chegarem a nenhuma conclusão.
Estamos sempre a falar do dirigente como sendo um único indivíduo. E se não existir uma pessoa que reúna todas estas qualidades? A única solução é ter uma direcção colegial, uma liderança de grupo?
Sim, é possível. Existe em algumas empresas familiares cujos membros se estimam e têm entre eles uma ligação poderosa.
No entanto, também pode existir quando, numa empresa, se forma um pequeno grupo coeso, que partilha valores e objectivos, em que todos dizem o que pensam com a certeza de serem levados a sério. A seguir escolhem alguém que os ajude a organizarem-se e a trabalhar com regularidade.
Passei por uma experiência semelhante nos anos 70, quando alguns dirigentes da Barilla e um publicitário inventaram e criaram, com grande sucesso, a marca Mulino Bianco. Eram de tal maneira unidos e tinham um diálogo tão coeso, lúcido e criativo que havia a impressão de se tratar de uma única inteligência, de uma única cabeça.
Sociólogo e jornalista
Tem mais informações sobre esta notícia?
Conte a sua história. Seja um iRepórter.
Artigo: As qualidades de um bom líder e da liderança de grupo
Actividade em ionline