Padel

Resort Padel Tour. Raquetes, bolas e turismo para todos

por Rui Catalão, Publicado em 20 de Abril de 2010   
O Zmar recebeu a segunda etapa deste circuito e o i foi lá espreitar. O desporto era o ponto de partida e os jogadores não faltaram à chamada
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"Padel? O que é isso?" Se teve essa reacção quando chegou a estas páginas, é porque faz parte da esmagadora maioria da população portuguesa que ainda desconhece esta modalidade. Por isso, aqui fica um ponto prévio para nos entendermos: não é ténis - embora seja jogado com raquetes e bolas - nem squash - apesar de ter paredes.

Em Portugal há dois a três mil praticantes, todos amadores. Incluindo João Plantier, organizador do Resort Padel Tour, que no último fim-de-semana assentou arraiais no Zmar, um inovador resort ecológico da Zambujeira do Mar. O i esteve lá para acompanhar a segunda etapa deste circuito - a primeira foi em Óbidos, em Março, e a terceira vai ter lugar em Sagres, em Setembro.

"O principal objectivo deste circuito é levar a modalidade para fora dos centros urbanos e fazer crescer a base de jogadores pela via social", explica João Plantier. Pela amostra da manhã de sábado, a ideia tem vários seguidores. Entre os 40 participantes do torneio, não faltavam casais ou grupos de amigos. E muitos davam ainda os primeiros passos: "Eu cá ainda só joguei umas cinco vezes. Ainda estou a começar", ouve-se quando a organização anuncia a presença do nosso jornal. Já dentro dos courts, o convívio sobrepõe-se (quase sempre) às qualidades técnicas. Porque competição é competição e não falta quem leve a coisa um pouco mais a sério. "Bolas, como é que falhaste aquele ponto?", pergunta um jogador ao parceiro.

Ah, por falar em parceiro. Aqui ninguém joga sozinho. O padel é um desporto de pares - sejam eles masculinos, femininos ou mistos. E diz quem sabe que é bem mais fácil apanhar-lhe o jeito do que a outras modalidades como o ténis. É menos exigente fisicamente, embora o ritmo seja mais elevado, porque a bola está sempre em jogo.

E assim chegamos à característica que o afasta mais do ténis e aproxima mais do squash: as paredes. Além de definirem os limites do campo, servem de apoio a jogadas mais elaboradas. É possível deixar a bola ir à parede antes de a devolver aos adversários; outra hipótese é usar a parede como catapulta para atirar a bola para o lado de lá.

Uma coisa é certa: há cada vez mais praticantes a deixar o ténis para abraçar esta modalidade. Como o brasileiro Luciano Souza, que antes de vir para Portugal chegou a estar na primeira categoria de padel no seu país. A primeira paixão tinha sido, no entanto, o ténis. Agora, a viver em São Teotónio, sente dificuldades em encontrar parceiros para jogar padel. "Os campos do Zmar são os únicos aqui na zona e é muito complicado convencer os meus amigos a mudarem-se para o padel. Muitos ainda preferem o ténis."

Luciano não é o único a sentir problemas. Gonçalo Quelhas Lima e Filipe Germano vivem no Grande Porto e têm uma queixa em comum: "De Leiria até à fronteira Norte do país só há dois campos de padel, ambos na Maia. Para quem quer praticar a modalidade naquela zona e não vive propriamente perto, acaba por sair muito caro." Na verdade, os jogadores de padel estão concentrados em Lisboa, Algarve (Vila Real de Santo António e Faro) e Porto (Maia). Porque os campos estão quase todos nesses três pólos.

A viagem até à Zambujeira do Mar - como até Óbidos ou Sagres - acaba por compensar os participantes pelo ambiente que envolve a competição. Quando não estão em jogo, são constantes as viagens entre a zona dos courts e a piscina do Zmar. "Há que aproveitar", dizem as meninas. Foi esta a razão que levou a Master Padel, de João Plantier, a organizar três etapas em resorts turísticos: "É especialmente importante para a dinamização do padel feminino, porque há alternativas de diversão para toda a família. Num ambiente típico de torneio, como é hábito, há demasiada testosterona e isso acaba por afastar as mulheres. Elas não querem meter-se nesses sítios."

A chuva também decidiu marcar presença - e em força - mas a cobertura dos courts evitou que houvesse grandes atrasos. "Ainda bem que aconteceu aqui, porque nos outros resorts os campos são ao ar livre", diz André Stoffel. Apesar da boa adesão da prova da Zambujeira do Mar, a próxima etapa, no Martinhal Resort, em Sagres, promete ser ainda mais concorrida. "Esperamos ter três dias inteiros de torneio, com dezenas de duplas masculinas, femininas e mistas", assume João Plantier.


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