Professores saem hoje à rua para desafiar a ministra Isabel Alçada

Publicado em 19 de Abril de 2010   
Fenprof avisa que não é uma manifestação. É só o primeiro sinal de que a classe está em estado de alerta
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Os professores voltam hoje à rua para desafiar a ministra. A concentração convocada pela Federação Nacional dos Professores (Fenprof) tem cinco palcos - ministério da educação, em Lisboa, e direcções regionais de educação do Porto, Coimbra, Évora e Faro. Será uma estreia para Isabel Alçada, que até agora conseguiu evitar os protestos. Esta concentração, no entanto, não terá a força das manifestações que a antecessora, Maria de Lurdes Rodrigues, enfrentou.

O objectivo, avisa Mário Nogueira, líder da Fenprof, é dar o "primeiro sinal" de que a classe está alerta: "Vamos entregar um abaixo-assinado em que daremos conta do descontentamento em relação à decisão de incluir os resultados da avaliação da legislatura anterior no concurso."

A classe recusa os critérios de avaliação por considerar que não foram aplicados uniformemente nas escolas, mas nem todos os sindicatos ou movimentos estão envolvidos na iniciativa da Fenprof. "A nossa estratégia não passa por este tipo de acções", esclarece João Dias da Silva, dirigente da Federação Nacional de Educação (FNE). Impugnar o concurso através dos tribunais e pressionar os partidos para adiar a norma que determina que a avaliação de desempenho seja considerada neste recrutamento são as estratégias que o sindicalista diz estarem, "para já", em cima da mesa.

A via judicial é também o caminho escolhido pela Fenprof e pela Federação Nacional do Ensino e Investigação que, embora não tenha aderido à concentração, esclareceu que os sócios têm "toda a liberdade" para se juntarem à iniciativa, diz Carlos Chagas.

Nem todos os movimentos independentes estão unidos em torno da iniciativa. Octávio Gonçalves, do Movimento de Valorização dos Professores, descartou-se da concentração por considerar que a "questão de fundo" fica por resolver. "Os sindicatos estão preocupados em adiar uma norma que já devia ter sido acautelada nas negociações com o ministério, mas o que reivindicamos é a revisão do modelo de avaliação, que não sofreu alteração após o acordo entre sindicatos e governo." Os restantes três movimentos vão aderir à concentração com reservas. "Apesar de discordarmos da estratégia, vamos participar na concentração porque em causa estão os direitos dos professores contratados", diz Ricardo Silva, da Associação de Professores e Educadores em Defesa do Ensino.


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