Aeroportos caóticos, espaço aéreo invulgarmente vazio, alertas da Organização Mundial de Saúde, avisos de vulcanólogos para a possibilidade de a erupção de um vulcão despertar outro. A nuvem de cinzas que se espalhou com a erupção do vulcão no sul da Islândia, no glaciar Eyjafjllajokull, na quarta-feira, provocou o maior colapso no tráfego aéreo desde o 11 de Setembro: 17 mil voos já foram cancelados desde que a nuvem vulcânica se começou a espalhar pelo céu europeu.
Não será fácil resolver o caos. A Eurocontrol, organização europeia para a segurança do espaço aéreo, estimou ao início desta tarde que a nuvem de cinzas vulcânicas deverá continuar a afectar o tráfego aéreo na Europa por “pelo menos mais 24 horas”.
A Raynair anunciou que todos os seus voos de e para o norte da Europa estão cancelados até às 13 horas de segunda-feira.
O espaço aéreo continua fechado na Irlanda, Bélgica, Dinamarca, Suécia, Alemanha, Noruega, Finlândia, Estónia, norte de França e em alguns aeroportos da Polónia. Na Holanda, todos os voos do aeroporto de Amesterdão foram suspensos: duas mil pessoas tiveram cama feita esta noite nos aeroportos holandeses. Dos 300 voos transatlânticos que aterram diariamente em solo europeu, só 120 descolaram.
A IATA, associação internacional de transporte aéreo, calcula que as companhias aéreas estejam a perder 147 milhões de euros por dia.
Na Noruega, a mais de 1400 quilómetros de distância do vulcão, o cheiro a enxofre já se sente na costa do país. Especialistas dizem que embora o vulcão esteja a produzir menos cinza, a erupção continua e as cinzas devem continuar a mover-se para este.
A perturbação do tráfego aéreo não é o único problema motivado pela nuvem de cinzas. Devido aos danos que as micro-partículas podem causar à saúde, a OMS já alertou que, caso as cinzas desçam para perto da terra ou se misture com a chuva, o melhor será evitar espaços exteriores. As partículas das cinzas de um vulcão, explicou o porta-voz da OMS, David Epstein, “podem afectar os pulmões” e causar problemas respiratórios - o que impõe um risco ainda maior para aqueles que sofrem de asma ou outras doenças respiratórias. "Sabemos que são potencialmente nocivas, mas temos de analisar a situação com maior profundidade", acrescentou.
Além disso, vulcanólogos islandeses alertam para a possibilidade de um vulcão vizinho, o Katla, adormecido há quase 100 anos, poder entrar em actividade: um costuma despertar o outro.
Na Islândia, o espaço aéreo não foi afectado, mas há inundações e mais de 800 pessoas tiveram de sair das suas casas. O país vive numa luta constante entre o gelo e o fogo. Além da nuvem de cinzas, o país com a segunda maior actividade vulcânica do Mundo – a seguir ao Havai -, enfrenta o problema das inundações provocadas pelo degelo do glaciar onde se encontra localizado.




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