Portugal está em condições de cumprir as metas de redução de abandono escolar e de aumento de alunos em formação superior que os ministros da Educação europeus estão hoje a definir como elementos centrais da política educativa europeia.
“Temos vindo a trabalhar desde a anterior legislatura para lançar medidas que permitam que em 2020 encaremos muito positivamente a possibilidade de cumprir estas metas”, disse em entrevista à Lusa a ministra da Educação, Isabel Alçada.
Entre as medidas aplicadas em Portugal e que contribuirão para este objetivo, Isabel Alçada destaca a diversificação de vias no secundário, a formação de adultos e o envolvimento das famílias na educação e formação.
Refere ainda o investimento no pré-escolar, a redução de alunos por turma em algumas zonas onde o apoio aos estudantes é mais necessário, o investimento na melhoria dos equipamentos e o plano tecnológico para a educação.
“O facto de haver mais resultados desde o pré-escolar e primeiro ciclo, ao longo de todo o sistema escolar, permite reduzir o abandono e levar aos jovens e as famílias a investir e a acreditar que vale a pena continuar no sistema educativo”, disse.
A governante falava à Lusa em Madrid no segundo e último dia da reunião informal dos ministros da educação da União Europeia que estão a debater, entre outras questões, a redução do abandono escolar e o aumento do número de alunos em formação superior.
Além de reduzir o abandono escolar dos atuais 18 para 10 por cento, em 10 anos, os ministros analisarão ainda questões como o reforço do programa Erasmus, de mobilidade educativa, e o papel da educação e da formação na saída da crise.
Pretendem ainda que o número de alunos com formação superior chegue aos 40 por cento dos jovens com idades entre os 18 e os 24 (o número está atualmente nos 30 por cento).
Isabel Alçada destaca o facto de esta ser a primeira vez em que se a educação e a formação, “a mais importante das políticas sociais”, estão a ser incluídas “no centro da estratégica europeia”.
Trata-se de um avanço, sublinha, numa “estratégia que reconhece que para um crescimento inteligente, inclusivo e sustentável, a educação é essencial”.
“Até agora, e com base no princípio da subsidiariedade, considerava-se que deviam ser os Estados a definir as suas metas. Agora está a avançar-se para metas e para uma orientação estratégica comuns”, frisou.
Ainda assim, e apesar dos debates, Isabel Alçada reconhece que ao contrário da posição portuguesa - que defende metas comuns - ainda há alguns países que consideram que “a definição quantitativa das metas deve ficar a cargo de cada país”.
“Portugal não é dessa opinião. Achamos que definir essa meta comum mobiliza os países para atingir essa meta”, frisou.
Cumprir estas metas obriga, segundo a ministra, a políticas integradas, que reconheçam além das questões educativas outros aspetos que condicionam o abandono escolar e, posteriormente, a permanência dos alunos na formação superior.
A ministra considera que apesar da situação atual - em que há desempregados com formação superior - continua a valer a pena apostar em formação além do secundário.
“A empregabilidade das pessoas com formação superior é maior, o tempo de permanência no desemprego é menor. Sabemos que estamos a passar um momento de dificuldade e que quem conclui formação não encontra imediatamente ocupação profissional, mas gradualmente haverá ajustamentos e movimentos positivos de procura”, disse.
“Quanto maior é o nível educativo da população, maior é o nível de desenvolvimento”, afirmou ainda. Neste caso é importante continuar a apostar num relacionamento mais próximo entre os centros de formação e as empresas.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico***




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