Passos Coelho: "Não queremos uma sociedade subsídio-dependente"
por Nelma Viana, Publicado em 12 de Abril de 2010
Hoje foi dia de Sinais de Fogo. Passos Coelho, o novo líder do PSD, foi o convidado de Miguel Sousa Tavares.
Passos Coelho começou por confirmar a sua ambição em governar o país, apesar de reconhecer que as sucessivas derrotas social-democratas nas eleições de 2005, se deveram, em parte, ao insucesso dos próprios líderes do partido na preferência de voto dos eleitores.
Hoje, garante, o PSD tem noção da instabilidade por que passou e, por isso, está mais organizado e a caminho de uma futura liderança bem-sucedida.
Quando questionado sobre a altura certa para disputar o poder com o Partido Socialista, o líder social-democrata garantiu ?não estar à espreita de uma fragilidade do partido para deitar o governo abaixo e saltar para o poder? e refere que ?em circunstâncias normais, essa situação aconteceria daqui a três anos?. No entanto, ?o PS, apesar de ter saído vitorioso nas últimas eleições, ?foi castigado pelo povo ao não conseguir uma maioria absoluta?. ?O PS governa à la carte, não tem sequer maioria parlamentar?.
O PSD vem, por isso, oferecer ao país um projecto alternativo que convença verdadeiramente os portugueses, ?coisa que claramente o PS não está a conseguir?. Admite, no entanto, que ?apesar da crise, esta é a altura de o PSD propor as reformas necessárias para que o país resolva a sua situação deficitária?.
Na sequência da temática das reformas, o economista acusou o PEC de ser ?um instrumento do governo?, do qual o partido socialista fez o seu ?projecto de intenção para Bruxelas de redução da dívida pública?. Na sua opinião, o PEC ?demonstra a estratégia de um partido que, mesmo sem maioria no Parlamento, e sem ter sequer consultado a oposição decidiu avançar com as propostas?. Por isso propõe uma revisão do documento e até a sua eventual alteração, já que ?Bruxelas prevê que o texto possa ser anualmente revisto?.
?Na verdade o PEC não tem nada de crescimento, parte de um cenário conservador?, defende. Para crescer, lembra o novo líder, ?são precisas reformas estruturais e deve ser o próprio PS a iniciá-las?. Para a redução do défice, Passos pede, numa primeira análise, eficiência na contenção da despesa pública, lembrando que ?o que pesa na despesa é o próprio consumo corrente do Estado. Esta, que tem vindo a aumentar e que pode ser reduzida em, pelo menos 15%?.
Recusando o esquema salazarista que dita que ?cada bolacha deve ser justificada?, Passos pede apenas o fim dos abusos do poder político e a aplicação de critérios de poupança universais. Concorda com o congelamento de salários proposto pelo PEC, na medida em ?que tem de haver uma certa moderação até 2013 e esse será um dos primeiros passos nesse sentido?, mas defende a sua actualização em função da inflação para os salários mais baixos.
?Os cidadãos que recebem prestações sociais ? nomeadamente o subsídio de desemprego e o rendimento de inserção social ? devem retribuir a ajuda ao Estado com trabalho comunitário?. Admite, no entanto, que não será fácil adaptar esse critério às carreiras e competências de cada um? e, por isso, admite propor uma alteração da lei. Em última instância, diz, ?não queremos criar uma sociedade subsídio-dependente?.
Sobre a recente proposta de alterar a Constituição, Passos Coelho acredita que o documento actualmente em vigor ?defende coisas a mais, não deixando espaço à reflexão e decisão dos portugueses?.
Na questão da regionalização, o político reconhece algumas dúvidas entre o sim e o não, mas acredita que se poderia ?nomear uma região piloto, na qual se criasse um modelo de financiamento, um modelo burocrático e um modelo de competências que permitisse ensaiar o processo?. Uma coisa mal feita, ou mal pensada, conclui, podia ?mergulhar Portugal numa situação de bancarrota semelhante á da Grécia?.
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