Assembleia-geral
BCP. Armando Vara vai manter salário até Janeiro de 2011
por Ana Suspiro, Publicado em 13 de Abril de 2010
Pequenos accionistas atacam BCP por manter o salário a Armando Vara, suspenso de funções
Prometia ser um dos temas quentes da assembleia-geral do maior banco privado português, que se realizou ontem no Porto, e não desiludiu. A decisão dos órgãos do BCP de manter o salário de Armando Vara, - cerca de 37 mil euros por mês ou 520 mil euros brutos por ano - foi atacada por vários pequenos accionistas do banco. As explicações foram exigidas sobretudo ao presidente da comissão de remunerações, o accionista Joe Berardo, que no passado tanto se bateu contra os "prémios milionários" da anterior administração liderada por Jardim Gonçalves.
A opção de manter a remuneração ao vice-presidente que se auto-suspendeu depois de ter sido constituído arguido no âmbito da investigação Face Oculta é justificada por Joe Berardo porque havia um contrato com Armando Vara até Janeiro de 2011, que é quando termina o mandato da actual administração. E se o pagamento fosse cancelado, poderia haver lugar a pedidos de indemnização, explicou o responsável pela comissão de remunerações. Esta decisão foi tomada com base em pareceres de advogados e depois de ouvidos o conselho de administração e o conselho-geral de supervisão.
"A mim dói-me muito pagar a quem não está a trabalhar, mas há que respeitar os acordos", concluiu. O empresário, que é um dos maiores accionistas do banco, garantiu ainda que não é amigo pessoal de Armando Vara.
Mas as justificações de Berardo não foram suficientes para acalmar os ânimos de alguns accionistas, a ponto de o presidente da mesa da assembleia-geral, Menezes Rodrigues, ter de fazer um apelo para que não se voltasse ao tema.
A questão Vara foi lançada por Manuel Martins que quis saber se o pagamento a Armando Vara podia ser considerado um donativo, uma vez que o não se tratava de remuneração de trabalho, já que o presidente da instituição, Santos Ferreira, garantiu que o gestor não desempenhava qualquer função no BCP.
Vários pequenos accionistas consideraram que a manutenção de Vara com o cargo suspenso prejudicava a imagem do banco, apesar das suspeitas sob investigação no Face Oculta não envolverem a actividade no BCP, e levantaram a dúvida: afinal quantas pessoas substituem o vice-presidente suspenso? É que das várias propostas que foram a votos; uma é para a cooptação de Vítor Fernandes no cargo de vice-presidente enquanto Armando Vara está suspenso de funções, outra para a nomeação de Miguel Maya que substitui Vítor Fernandes na administração e uma outra para a entrada de António Ramalho, ex-presidente da Unicre, no conselho, que assim fica com mais um elemento.
Apesar destas intervenções terem suscitado aplausos, a verdade é que as propostas de nomeação de novos administradores foram todas aprovadas por uma vasta maioria superior a 98%.
Ainda sobre remunerações, mas já sobre a política de atribuição de prémios de gestão que foi a votos, Gabriela Martins, em representação de um dos accionistas de referência, Stanley Ho, questionou os critérios que permitiam à comissão de remunerações decidir a remuneração variável mesmo que os objectivos não fossem cumpridos.
Enquanto na reunião se discutia a situação de Vara, cá fora cerca de uma centena de dirigentes sindicais do BCP protestaram contra o não pagamento de prémios.
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