Fitch corta rating da Grécia, mas mercados reagem positivamente

por Nuno Aguiar, Publicado em 10 de Abril de 2010   
Classificação da dívida grega desce para o último nível antes de ser considerada especulativa
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A agência de notação financeira Fitch cortou ontem o rating da Grécia em dois graus, de "BBB+" para "BBB-". A decisão foi justificada pelo medo de que os gregos não consigam resolver sozinhos o descontrolo das suas contas públicas.

Este corte da Fitch significa que foi alcançado o último nível em que comprar dívida grega é considerado um investimento. Um rating abaixo deste faria com que passasse a ser classificada como especulativa, um cenário que se pode confirmar a curto prazo, visto que a Fitch manteve o outlook negativo. Essa eventual descida colocaria a Grécia numa posição muito complicada para um país que faz parte da zona euro.

Segundo a Fitch, este downgrade reflecte "as contínuas incertezas sobre a estratégia de financiamento do governo, num contexto de cada vez maior volatilidade do mercado".

Apesar do corte de rating não ser, de longe, uma boa notícia para a Grécia, o país acabou por não ser penalizado nos mercados. Depois de o spread da dívida grega ter atingido quinta-feira o valor mais alto desde que o euro entrou em circulação (4,3%). Ontem, mesmo com o corte da Fitch, o spread recuou para 3,9%. A dívida portuguesa teve um comportamento semelhante.

Além disso, registaram-se ainda ganhos nas principais praças europeias e uma subida do euro face ao dólar. A aparente contradição pode ser explicada pelo facto de a Grécia já ter sido penalizada preventivamente e esta descida servir mais como um alerta para os parceiros europeus acelerarem o processo de ajuda.


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