O manifesto para uma Nova Política Energética em Portugal, hoje apresentado, "ignora obsessivamente os aspectos positivos sem oferecer alternativas" no curto prazo para as energias renováveis.
A acusação é feita pela APREN (Associação Portuguesa de Energias Renováveis) que promete contribuir com elementos documentais que demonstrem os erros, aproximações e omissões do manifesto que é assinado por 33 personalidades lidas às empresas, ao meio académico, economistas e alguns ex-ministros.
Um dos "erros" que a APREN corrige em comunicado é a indicação de que o preço pago pela energá eólica seja trêz vezes o preço do mercado grossista. Segundo a associação, o preço médio pago em 2008 no mercado grossista nacional foi de 71,18 euros por cada MW/hora, contra um preço da eólica de 94,7 euros. A verdade é que estes números se reportam a um ano em que os combustíveis fizeram subir muito o preço da produção de energia de origem térmica, aproximando-a dos valores cobrados pela eólica. A associação sublinha ainda que tarifas asseguradas aos parques mais recentes são mais baixas.
A APREN contesta ainda a ideia de que as renováveis na electricidade não contribuem para a redução da dependência energética nacional, contrapondo aos números de 2008 apresentados pelo manifesto, com dados de 2009 e recordam que a aposta nas renováveis é um objectivo da política energética da União Europeia.
Sobre a atribuição às energias renováveis da responsabilidade pelo défice tarifário, devido ao sobrecustos das tarifas eólica e da fotovoltaica, a associação diz que o "Manifesto não se exime à suspeita de má fé".
Um dos promotores do manifesto, Mira Amaral, reconheceu hoje que o défice tarifário não foi todo provocado pelo sobretudo as energias renováveis – parte substancial teve origem na decisão política de diluir ao longo dos anos o aumento dos custos dos combustíveis no preço da electricidade. No entanto, sublinham os defensores desta iniciaiva, que as renováveis são hoje as grandes responsáveis pela subida desse défice que actualmente só é pago pelos clientes da baixa tensão (famílias e pequenas empresas e serviços), deixando de fora as indústrias.




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