Energia

Renováveis. Manifesto vai contestar efeitos na criação de emprego

Publicado em 07 de Abril de 2010   
Personalidades do sector energético preparam contra-movimento de apoio à aposta na energia verde
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O manifesto que pede a revisão da política energética do governo, e que é hoje apresentado, vai pôr em causa o impacto económico da estratégia do governo para as renováveis, sobretudo na área do emprego. Um dos estudos internacionais a apresentar pelo movimento de 33 subscritores, que reúne empresários, economistas e ex-ministros (quase todos ligados ao PSD) diz que as políticas de Espanha para o sector criaram poucos empregos e caros.

A estratégia de energia para 2020 do governo de José Sócrates aposta na criação de 100 mil postos de trabalho com a consolidação do cluster energético no sector das renováveis. O manifesto, que tem entre os seus apoiantes Mira Amaral, Miguel Cadilhe, Francisco Van Zeller e Alexandre Relvas, vai fundamentar as suas críticas num estudo sobre o efeito que teria nos Estados Unidos a adopção do modelo espanhol. elaborado pela Universidade Rey Juan Carlos, em Março de 2009.

"Apesar da sua resoluta política de 'empregos verdes', cara e extensiva, tudo leva a crer que a Espanha criou um número surpreendentemente reduzido de empregos, dois terços dos quais na construção civil, fabricação e instalação de equipamentos, e 1/4 em lugares administrativos (...) e apenas um em cada dez empregos ao nível mais permanente da operação e manutenção das fontes renováveis", diz o sumário executivo.

O estudo estima que Espanha tenha gasto 5711.38 euros para criar cada posto de trabalho verde, incluindo subsídios de um milhão de euros por emprego na indústria da energia eólica e diz que, por cada emprego verde criado, foram destruídos 2,2 empregos em outros sectores.

O impacto dos subsídios às renováveis nas tarifas eléctricas e o apelo ao estudo de todas as formas de geração eléctrica, incluindo o nuclear, são questões levantadas no manifesto.

Contra-movimento Ainda antes da apresentação pública, o i sabe que já está em marcha um contra-movimento de figuras do sector da energia que irá questionar de forma fundamentada e com números os argumentos levantados por estas 33 personalidades. A primeira reacção pública de contestação foi de Jorge Vasconcelos, ex-presidente da ERSE (o regulador da energia), opinião publicada no jornal "Público" Ontem, o secretário de Estado da Energia, Carlos Zorrinho, rejeitou uma central nuclear e garantiu que Portugal não voltará atrás na dependência energética de combustíveis importados. "Estaríamos a matar um cluster industrial pujante", sublinhou.

Hoje, Oliveira Fernandes protagonizará a resposta da APREN (Associação Portuguesa de Produtores Independentes da Energia Eléctrica e Fontes Renováveis em Portugal) aos argumentos do manifesto que quer a revisão da política energética nacional.


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